Demissão de regente da orquestra sinfônica de MG gera polêmica
Ligia Amadio foi afastada após críticas sobre baixos vencimentos de instrumentistas em audiência pública
A Fundação Clóvis Salgado (FCS) desligou a regente Ligia Amadio da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG). A decisão foi comunicada à maestrina no início de janeiro, semanas depois de sua participação em um debate parlamentar sobre condições de trabalho.
Amadio exercia as funções de regente titular e diretora musical do grupo. O encerramento do vínculo gerou manifestações de apoio à profissional por parte de maestros, compositores e entidades da música erudita no Brasil e no exterior.
Agremiações da Argentina e da Espanha, além de blocos do Carnaval de Belo Horizonte, publicaram notas de repúdio ao desligamento. A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, completa 50 anos em 2025.
Divergência sobre remuneração em audiência pública
A crise administrativa teve início em novembro, durante reunião na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O encontro visava tratar da precarização laboral dos artistas mineiros.
Na ocasião, a regente afirmou que o conjunto era “a orquestra mais mal paga deste país”. Ela apresentou dados sobre os vencimentos iniciais de instrumentistas que não ocupam postos de liderança nos naipes.
Amadio declarou perante os deputados: “Eu tenho a honra de dirigi-la, mas tenho a vergonha de que os músicos sob a minha direção enfrentem essa situação”. Ela disse que a remuneração de entrada era de R$ 1.618,72.
A maestrina detalhou o valor aos presentes: “Vou dizer quanto ganha um músico de fila quando entra na Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, patrimônio público cultural e histórico deste Estado. Um músico de fila ganha R$ 1.618,72 [por mês]”.
O que alega a Fundação Clóvis Salgado
A Fundação Clóvis Salgado informou que a saída da regente integra um plano de readequação da programação artística. O objetivo da entidade é convidar antigos regentes para as apresentações que celebram os 55 anos do Palácio das Artes.
Sobre os dados financeiros, a instituição negou que existam pagamentos no patamar citado pela maestrina. Segundo a fundação, a média salarial do corpo artístico atingiu R$ 7.868,91 na folha de janeiro deste ano.
A administração estadual indicou que o menor valor pago no mês foi de R$ 4.289,10, enquanto o teto chegou a R$ 14.356,88. Documentos financeiros obtidos pela reportagem mostram variações conforme o tempo de serviço e gratificações.
Um instrumentista com 25 anos de atuação na orquestra recebeu rendimento líquido de aproximadamente R$ 7.000. Outro profissional, com 12 anos de casa, obteve cerca de R$ 4.500 no último mês de dezembro.
Um terceiro registro indica que um músico recebeu pouco mais de R$ 1.600 como décimo terceiro salário, após incidência de descontos previdenciários e assistenciais. Ligia Amadio preferiu não responder a procura da Folha após a nota oficial da fundação.
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