Wilson Pedroso na Crusoé: O missionário do impossível
O sacrifício de Fernando Haddad pode manter o partido unido, mas dificilmente abrirá as portas do Palácio dos Bandeirantes em São Paulo
Fernando Haddad parece ter tomado gosto pelo martírio em solo paulista.
A nova ventilação de seu nome para o governo de São Paulo não é exatamente estratégia eleitoral, é misticismo político.
O ministro da Fazenda aceita, mais uma vez, o papel de para-raio de um projeto que teima em colidir com a realidade do estado.
Existe um conceito fundamental na ciência política chamado voto de identidade.
Ele ocorre quando o eleitor não escolhe um programa de governo, mas um espelho.
O cidadão busca no candidato seus próprios valores, seu estilo de vida e sua visão de mundo. Em São Paulo, esse espelho está quebrado para o PT.
O estado consolidou um perfil que privilegia o pragmatismo econômico e a ordem pública, pautas que a esquerda insiste em tratar como secundárias.
Enquanto o mercado financeiro tentava decifrar os sinais trocados sobre o arcabouço fiscal nesta semana com o governo correndo para equilibrar o Orçamento de 2026, o partido operava nos bastidores para nacionalizar a disputa estadual.
A ideia é transformar a eleição paulista em um terceiro turno de 2022.
O detalhe que passou despercebido foi a pressa em lançar o nome de Haddad antes de qualquer conversa real com o centro.
É um movimento para dentro, para estancar a sangria da militância, ignorando o eleitor que decide o jogo no interior.
A esquerda brasileira vive hoje sob uma redoma de vidro.
O discurso ressoa com força nos bairros mais pobres da capital e nas universidades, mas perde o sinal assim que atravessa a Rodovia Castelo Branco.
Para o eleitor que move o agronegócio ou as indústrias paulistas, a retórica petista soa como uma língua estrangeira.
Há um abismo estético e cultural que não se resolve com inserções de TV, mas com uma mudança de código…
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