Todo mundo sabia do problema no INSS, diz chefe da CGU
Ministro Vinicius Carvalho rebate Rui Costa sobre investigação das fraudes
O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) Vinicius Carvalho negou em entrevista ao Globo que faltassem alertas ao governo Lula sobre o esquema de fraudes no INSS. Segundo o ministro, “houve reuniões com a Previdência, envolvendo secretários” e “todo mundo sabia do problema e que a CGU estava fazendo auditoria”.
Sobre a ausência de comunicação direta com o então ministro da Previdência, Carlos Lupi, que deixou o cargo diante do escândalo, o chefe da CGU disse que “a preocupação do ministro Rui [Costa, da Casa Civil] é legítima”, mas afirmou que a investigação foi conduzida em menos de um ano, “um prazo razoável”. Carvalho também minimizou desentendimentos com Rui Costa: “Nunca tive problema com o ministro.”
“Todo mundo sabia do problema e que a CGU estava fazendo auditoria. A informação de que as pessoas não sabiam não procede. O ministro Rui sabe disso. Temos 600 auditorias por ano na CGU. Em algumas situações, detectamos fraude, e a equipe vai à PF. Foram 739 operações feitas com a PF nos últimos 20 anos. Isso não é novidade para ninguém.”
Rui Costa culpa CGU
No início de maio, Rui Costa culpou a CGU por não ter feito alertas “a nível de ministro” sobre as suspeitas de fraudes bilionárias descobertas em uma auditoria realizada em 2023.
“O papel da Polícia Federal é apurar o crime. O da Controladoria é impedir o crime. São naturezas diferentes. A Controladoria-Geral tem o papel de evitar o problema, apontar falhas de procedimentos”, disse Rui Costa na ocasião.
O chefe da CGU afirmou na entrevista ao Globo que os acordos fraudulentos foram firmados entre 2021 e 2022 com entidades “sem a menor condição” e que o impacto financeiro do esquema cresceu em 2023, quando “os descontos iam estourar”.
Sobre indícios de pagamento de propina a servidores do INSS, afirmou que “todos estão sendo investigados” e que é preciso “individualizar a conduta de cada entidade”.
Questionado sobre suposta seletividade em pedidos de bloqueio de recursos, Carvalho garantiu que “não há seletividade” e que “todas as entidades que tiverem fraudado serão responsabilizadas.”
Ele defendeu mudanças no sistema de descontos em folha, dizendo que o INSS “nem recebia a documentação das entidades” e que, se mantido, o desconto deveria ser remunerado ao Estado pelas entidades.
“A conclusão do relatório da CGU é que o mais viável seria interromper os descontos, mas essa é uma decisão política.”
O esquema das fraudes no INSS
A fraude no INSS foi revelada pelo repórter Luiz Vassalo, cujas reportagens geraram investigações de auditores concursados da Controladoria-Geral da União (CGU) e agentes da Polícia Federal (PF).
Os casos surgiram em 2019, sob o governo de Jair Bolsonaro, e aumentaram exponencialmente quatro anos depois, sob o governo Lula. No total, 6 milhões de pessoas vinham sendo descontadas mensalmente em seu salário de aposentadoria, a maioria sem consentimento, comprometendo ao todo R$ 6,3 bilhões. Os descontos só foram alegadamente suspensos em abril de 2025.
O esquema levou ao afastamento de seis servidores, à demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e à saída do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), após reunião com Lula.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Angelo Sanchez
07.06.2025 12:27Depois que um corrupto “descondenado” assumiu o poder, o Brasil virou terra de ninguém, e a roubalheira está disseminada em toda a sociedade, roubar, estorquir, aplicar golpes, sequestro de contas bancárias, faz parte da nossa cultura.
Denise Pereira da Silva
07.06.2025 11:20Não podemos deixar esse roubo descarado cair no esquecimento. A investigação deve alcançar todos os envolvidos no esquema, os quais devem ser penalizados de acordo com o grau de cada envolvimento. E os que foram lesados devem ser ressarcidos “pra ontem” com os bens apreendidos e patrimônios confiscados dos fraudadores. Além de multas, indenizações e processos cabíveis.