TJ-MA determina intervenção em município após desvio de R$ 56 milhões
Segundo denúncia, prefeito de Turilândia ficava com até 90% do dinheiro desviado da Saúde
O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) determinou a nomeação de um interventor no município de Turilândia, no interior do estado, após identificar indícios de um esquema criminoso que teria desviado R$ 56 milhões da área da saúde.
A decisão foi unânime e envolve o prefeito Paulo Curió (União Brasil), a vice-prefeita Tânya Mendes (PRD) e 11 vereadores.
Segundo denúncia, o prefeito e familiares ficavam com até 90% dos valores pagos por sua administração a empresas envolvidas nas fraudes.
A corte concedeu na sexta-feira, 23, o prazo de até 15 dias para que o governo estadual decrete a intervenção, que terá duração inicial de seis meses, com possibilidade de prorrogação.
Caberá ao governador Carlos Brandão escolher o interventor.
O relator do caso, desembargador Gervásio dos Santos, afirmou que as provas reunidas pelo Ministério Público indicam uso sistemático da máquina pública para enriquecimento ilícito desde 2021, o que justificaria a medida excepcional.
“O suposto desvio de montante milionário revela, em juízo de probabilidade, risco real de desestruturação da prestação de serviços essenciais, como saúde, educação, assistência social e saneamento, afetando diretamente as condições materiais de vida da população”, escreveu o magistrado no voto.
Esquema e investigações
Segundo a investigação, empresas de fachada eram usadas para fraudar licitações, simular concorrência e lavar dinheiro público.
De acordo com o Ministério Público, cerca de 95% dos processos licitatórios do município de 32 mil habitantes teriam sido manipulados.
O esquema foi revelado pela Operação Tântalo, deflagrada em dezembro de 2025, que resultou na prisão de 21 pessoas.
O prefeito Paulo Curió permanece preso, enquanto parlamentares investigados cumprem prisão domiciliar.
A Justiça também determinou que o interventor, assim que nomeado, constitua uma equipe técnica para realizar uma auditoria completa na prefeitura.
O grupo deverá apresentar, em até 100 dias, um relatório sobre a situação financeira, administrativa e operacional do município.
As investigações apontam ainda que parte dos recursos desviados teria sido usada para despesas pessoais e familiares. A vice-prefeita e a ex-vice-prefeita aparecem, segundo o MP, como integrantes do núcleo empresarial do esquema, que incluía contratos milionários sem comprovação de serviços prestados.
Com o afastamento do prefeito e da vice, o presidente da Câmara Municipal chegou a assumir interinamente a prefeitura, mesmo cumprindo prisão domiciliar, situação que agravou a crise institucional e reforçou o entendimento do tribunal pela necessidade de intervenção.
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Comentários (1)
Marian
24.01.2026 15:34É desanimador. Dos desvios bilionários, ao roubo para as cervejinhas, este país se decompõe a cada dia. E vemos outros países, crescendo, ordeiros e visando o bem comum. Foram as escolhas.