Tartaruga gigante do tamanho de um carro surge no Acre
A espécie viveu principalmente entre 13 e 7 milhões de anos atrás, em regiões hoje ocupadas pela Amazônia ocidental e áreas vizinhas.
Fósseis da tartaruga gigante de água doce Stupendemys geographicus, encontrados na Amazônia e em outras áreas do norte da América do Sul, estão ajudando pesquisadores a reconstruir os antigos ambientes fluviais do Mioceno, entre cerca de 23 e 5,3 milhões de anos atrás.
Stupendemys geographicus na Amazônia miocênica
A espécie viveu principalmente entre 13 e 7 milhões de anos atrás, em regiões hoje ocupadas pela Amazônia ocidental e áreas vizinhas.
Esse período coincidiu com intensas mudanças tectônicas e climáticas, que reorganizaram grandes sistemas fluviais sul-americanos.
Ao estudar esses fósseis, cientistas investigam como funcionavam os antigos ecossistemas aquáticos, quais espécies coexistiam e como as mudanças ambientais influenciaram a distribuição e a evolução da fauna regional.
🦴💥 Uma tartaruga gigante pré-histórica foi descoberta no coração da Amazônia!
— 🌱Foro da Amazônia🐍🦥 (@forodaamazonia) June 24, 2025
Com 3 metros de casco, o fóssil achado no Acre pode ser o maior já visto no Brasil.
É o passado revelando seus gigantes! 🌿🐢#Ciencia pic.twitter.com/MkAayq0DKo
Principais características da tartaruga gigante fóssil
Stupendemys geographicus é considerada a maior tartaruga de água doce conhecida, com carapaças que podiam ultrapassar 3 metros de comprimento.
Seu tamanho é comparável ao de um automóvel compacto, o que a torna peça-chave para discutir gigantismo em ambientes de água doce.
Grandes fragmentos de carapaça recuperados no Brasil, Peru e Venezuela permitem reconstituir sua morfologia e comparar essa tartaruga com espécies fósseis e atuais, discutindo adaptações, competição por recursos e possíveis predadores.
Como são encontradas e coletadas as ossadas de Stupendemys
As buscas por fósseis costumam ocorrer em margens de rios de difícil acesso, especialmente no Acre e em áreas de fronteira.
Na seca, o rebaixamento do nível da água expõe camadas sedimentares ricas em ossos, dentes e carapaças preservadas há milhões de anos.
Essas expedições seguem etapas padronizadas de prospecção e coleta, combinando trabalho de campo cuidadoso e técnicas de proteção das peças:
- Identificação de afloramentos em margens de rios e barrancos
- Escavação controlada com registro detalhado do contexto geológico
- Proteção dos fósseis com gesso e embalagens adequadas para transporte
- Envio às instituições de pesquisa para limpeza, medição e análises
Perguntas científicas que a Stupendemys ajuda a responder
A presença de um grande vertebrado de água doce indica ambientes com abundância de alimento, rios extensos, lagos e áreas alagadas estáveis.
A associação dos fósseis de tartarugas com peixes, crocodilomorfos e mamíferos permite reconstruir cadeias tróficas e cenários paleoambientais mais completos.
Nos laboratórios, medições e descrições anatômicas permitem estimar comprimento, massa corporal e variações entre indivíduos, contribuindo para pesquisas sobre gigantismo, distribuição geográfica, mudanças climáticas e interações ecológicas ao longo do Mioceno.
Laboratórios, coleções científicas e cooperação entre pesquisadores
Após a coleta, os fósseis são encaminhados a laboratórios de paleontologia de universidades públicas, onde passam por preparação, catalogação e estudos detalhados.
Essas coleções servem como base para pesquisas atuais e futuras sobre a fauna extinta da Amazônia.
Parcerias entre instituições do Acre, São Paulo e outros estados, além da colaboração com equipes de países vizinhos, integram paleontologia, geologia e biologia.
Assim, Stupendemys geographicus se torna um fóssil de referência para compreender a história natural e a antiga biodiversidade da região amazônica.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)