Secretaria da Educação do Ceará havia sido alertada sobre possível atentado em escola
"O Governo do Estado deveria ter estabelecido um protocolo de segurança dado que havia conhecimento sobre a possibilidade desse atentado", disse presidente da ONG Visão Mundial
A Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) havia sido informada no dia 4 de agosto sobre uma ameaça de atentado na Escola Estadual Luís Felipe, localizada em Sobral.
Dois adolescentes foram assassinados a tiros na instituição nesta quinta-feira, 25 de setembro.
O aviso foi emitido pela ONG Visão Mundial, que enfatizou a necessidade de “máxima urgência e atenção ao caso”, uma vez que um aluno da escola estava sob risco devido a conflitos entre facções criminosas.
Reginaldo Silva, Gerente Nacional de Advocacy e Participação de Crianças e Adolescentes da ONG, declarou ao jornal cearense Diário do Nordeste que o estudante, vinculado a um projeto social, chegou a ausentar-se das aulas por receio de ser alvo de um ataque.
O jovem ameaçado reside no bairro Nova Caiçara, dominado por uma facção criminosa oposta àquela que controla o bairro Campo dos Velhos, onde está situada a Escola Luís Felipe.
Silva relatou que havia uma ameaça explícita por parte dos grupos criminosos, afirmando que “se moradores do Novo Caiçara comparecessem às aulas, seriam alvos de tiros”.
Embora o aluno em questão não tenha sido uma das vítimas do tiroteio desta quinta-feira, informações da ONG indicam que um dos adolescentes mortos era também morador do Nova Caiçara e estava inserido no contexto do conflito entre as organizações criminosas.
A Seduc foi questionada sobre as providências tomadas após receber o ofício e sobre medidas preventivas para evitar o episódio violento, mas não deu retorno.
Aluno ameaçado teve transferência negada
A ONG Visão Mundial argumenta que as mortes poderiam ter sido evitadas. Reginaldo Silva recorda que, ao entrar em contato com a Seduc, foi redirecionado para um responsável da Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação (Crede) 5, encarregada pela escola.
Ele solicitou a transferência do estudante para minimizar os riscos de violência; no entanto, essa proposta não foi aceita.
Conforme o Gerente Nacional da ONG, a Crede 5 ofereceu alternativas como mudar o aluno para o turno noturno ou transferi-lo para uma escola profissionalizante. Contudo, ele não obteve aprovação nas provas necessárias para a transferência e teve que voltar à Escola Luís Felipe, mesmo temendo pela sua segurança.
A família do adolescente também havia comunicado à escola sobre os riscos enfrentados pelo jovem. Reginaldo ressaltou: “O Governo do Estado deveria ter estabelecido um protocolo de segurança dado que havia conhecimento sobre a possibilidade desse atentado”.
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