“Se fosse homem, não estava sendo vaiada”, diz governadora ao lado de Lula
Raquel Lyra reagiu a vaias e atribuiu episódio ao machismo
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), foi vaiada por parte da plateia durante discurso ao lado do presidente Lula (PT), na cerimônia de entrega de uma barragem no agreste pernambucano, na terça-feira, 2.
Ao reagir, Raquel atribuiu o episódio ao machismo, afirmando que, “se fosse homem”, talvez não estivesse sendo vaiada.
“Eu tô aqui por vocês. Eu tô aqui pelos meus filhos e pelos filhos de vocês, plantando semente, virando identidade, sendo referência para que nunca mais se ache que seremos somente a primeira.
Eu quero ser aquela que abre portas, e digo que não é fácil vir aqui, porque eu tenho certeza que, se talvez eu fosse homem, eu não tava sendo vaiada. Mas eu quero dizer que isso não me para; isso me traz mais força para seguir em frente, para fazer mais, para fazer com mais amor, para fazer o meu trabalho — porque eu sou apaixonada por isso, pelo meu estado de Pernambuco.
E eu sei, presidente, que do mesmo jeito que o seu governo não nos falta, Pernambuco não lhe faltará. E eu vou continuar firme, porque a eleição é tempo de eleição e disputa na urna. Agora é tempo de governar e cuidar.”
Lyra disputa o apoio do petista na eleição do próximo ano. Do outro lado, está o prefeito do Recife, João Campos, que também esteve no evento de terça, 2.
Lula em defesa das mulheres?
Na terça, 2, Lula (PT) questionou a capacidade do Código Penal Brasil de punir adequadamente crimes de violência contra a mulher.
Entre os casos, o petista mencionou o do ex-jogador de basquete que agrediu a ex-namorada com mais de 60 socos dentro de um elevador em Natal.
“Então, essa semana teve um cara que pegou duas pistolas na mão e descarregou a pistola contra a mulher. Teve um outro que matou a mulher grávida, com três filhos, tocou fogo na casa. Teve um outro que atropelou a mulher e arrastou ela a um quilômetro. Essa mulher vai sobreviver com as duas pernas amputadas. A pergunta que eu faço é o seguinte: ‘O Código Penal Brasileiro tem pena para fazer justiça a um animal irracional como esse?’ Nós temos pena para isso?’ Se o cara tiver dinheiro, como aquele ‘madrandão’ que ficou dando 60 foco na cara da mulher dentro do elevador… Se ele tiver dinheiro, ele fica 2 anos preso e vai pra rua batendo outra mulher. E um pobre desgraçado, que rouba um pão de uma padaria para comer, é preso e não tem nem advogado para defendê-lo e não tem o juiz para liberá-lo”, afirmou Lula, durante evento na Refinaria Abreu e Lima.
“Não aprisione essa pessoa. Não seja malvado. Não seja ignorante Porque pensando bem não existe pena. Não existe pena para punir um cara desse, porque até a morte é suave. Aquele cara que bateu na moça com 60 socos na cara dela… Que pena merece um cara daquele? O cara passou 50 anos fazendo musculação, todo bombado”, acrescentou.
O tom adotado por Lula vai na direção oposta ao discurso tradicional da esquerda, que costuma rejeitar aumentos de pena contra criminosos.
Além disso, o presidente coleciona discursos ultrapassados ao longo de sua trajetória política.
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
03.12.2025 21:22O vitimismo nunca esteve tão no auge no Brasil. Competência contestada vira até misoginia.