Sabia que o Brasil possui uma biofábrica de mosquitos do “bem” e ela é a maior do mundo
O avanço da biotecnologia tem possibilitado soluções inovadoras no enfrentamento de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como a dengue, a zika e a chikungunya.
O avanço da biotecnologia tem possibilitado soluções inovadoras no enfrentamento de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como a dengue, a zika e a chikungunya.
Um exemplo marcante desse desenvolvimento é a inauguração, em 2025, da maior biofábrica mundial para produção de mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia, iniciativa viabilizada pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) em parceria com o World Mosquito Program (WMP).
Localizada em Curitiba, no estado do Paraná, Brasil, essa fábrica se destaca pela capacidade de fornecer até 100 milhões de ovos de mosquito semanalmente, ampliando o combate aos vírus transmitidos por esse vetor.
A nova biofábrica, Wolbito do Brasil, traz uma resposta estratégica à alta incidência de arboviroses, tornando possível uma atuação direcionada em locais mais afetados, conforme decisão do Ministério da Saúde.
Este método, testado no país desde 2014, consiste basicamente na liberação de Aedes aegypti portadores de Wolbachia em determinadas áreas, onde irão se reproduzir com a população de mosquitos local, reduzindo de forma significativa a transmissão de doenças.
Como funciona o método da Wolbachia no combate ao mosquito Aedes aegypti?
A abordagem adotada pelo programa é baseada no uso da bactéria Wolbachia, presente naturalmente em mais da metade dos insetos do planeta, mas ausente no Aedes aegypti.
Quando esse mosquito é inoculado com Wolbachia, a bactéria atua impedindo que diferentes tipos de vírus infectem e sejam transmitidos ao ser humano.
Dessa forma, a liberação de mosquitos infectados no ambiente resulta em uma população crescente de insetos com baixa capacidade de transmitir arboviroses.
É importante ressaltar que a técnica não faz uso de mosquitos geneticamente modificados, mas sim de uma relação simbiótica natural entre bactéria e inseto.
Em campo, essa estratégia já foi aplicada em cidades como Rio de Janeiro, Niterói, Londrina, Joinville e Belo Horizonte, com previsão de expansão para municípios do Sudeste, Nordeste, Sul e Centro-Oeste ao longo de 2025.
Quais os benefícios da biofábrica Wolbito do Brasil para o país?
Especialistas destacam diversos benefícios potenciais da biofábrica Wolbito do Brasil. Entre eles estão a redução da incidência de dengue, chikungunya e zika, além da diminuição da pressão sobre o sistema público de saúde.
Com menos casos de doença, o gasto público com medicamentos, internações e tratamentos especializados também tende a cair consideravelmente.
- Redução dos índices de transmissão: Ao ampliar o número de mosquitos com Wolbachia, a cadeia de transmissão é interrompida.
- Baixo impacto ambiental: O método não utiliza inseticidas ou genes manipulados.
- Uso complementar: A estratégia pode ser empregada junto com outras ações de controle, como eliminação de criadouros e campanhas educativas.
- Ganho econômico: Para cada real investido, estima-se que a economia com gastos em saúde pode chegar a mais de 500 vezes o valor aplicado.
MOSQUITOS DO BEM | O Instituto de Biologia Molecular do Paraná e o World Mosquito Program inauguraram a maior fábrica do mundo especializada na criação do mosquito Aedes aegypti inoculado com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus. https://t.co/mG06Uoa1VJ. pic.twitter.com/UIOEWowEVd
— Agência Brasil (@agenciabrasil) July 20, 2025
Por que os mosquitos com Wolbachia têm vantagem reprodutiva?
Estudos indicam que os Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia demonstram maior sucesso reprodutivo em ambientes onde o método é adotado.
Isso acontece porque machos infectados, ao acasalar com fêmeas não infectadas, geram descendentes inviáveis, enquanto as fêmeas com Wolbachia conseguem transmitir a bactéria para toda a prole.
Em pouco tempo, a presença da bactéria prevalece sobre a população nativa, reduzindo as chances de infecção viral entre humanos. A efetividade dessa tecnologia depende também do envolvimento comunitário.
As liberações de mosquitos são precedidas por esforços de comunicação e engajamento junto à população local, orientando sobre os benefícios do método Wolbachia, esclarecendo dúvidas e estimulando a participação ativa nos cuidados básicos para evitar criadouros do Aedes aegypti.
Quais cidades brasileiras já receberam o método Wolbachia?
Ao longo dos últimos anos, diferentes regiões do país foram contempladas pela implementação dessa técnica inovadora.
Destacam-se locais como Tubiacanga e Jurujuba, no Rio de Janeiro, além de cidades de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná e Santa Catarina.
Novas localidades, como Presidente Prudente, Uberlândia, Natal, Balneário Camboriú, Blumenau, Valparaíso de Goiás, Luziânia e o Distrito Federal, estão em fase de preparação para receber o método a partir do segundo semestre de 2025.
Além disso, o método Wolbachia já foi implementado nas seguintes cidades: Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Petrolina (PE), Joinville (SC), Foz do Iguaçu (PR) e Londrina (PR), ampliando ainda mais o alcance desta tecnologia inovadora e reforçando a estratégia nacional de combate às arboviroses.
- Tubiacanga (RJ)
- Jurujuba (Niterói/RJ)
- Londrina (PR)
- Foz do Iguaçu (PR)
- Joinville (SC)
- Petrolina (PE)
- Belo Horizonte (MG)
- Campo Grande (MS)
- Expansão prevista para outras cidades em 2025
A expectativa é de que o Brasil, ao disponibilizar tal volume de mosquitos inoculados com Wolbachia, lidere internacionalmente o uso dessa tecnologia, servindo inclusive como exemplo para outras nações que enfrentam desafios semelhantes no controle das arboviroses.
Fonte: Agência Brasil
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