Rodolfo Canônico na Crusoé: Onde mora a doutrinação
Um menino pode ter filtros e regras em casa, mas ainda assim será exposto à pornografia ou às apostas pelo celular de um amigo
uita gente deve ter visto, nos últimos dias, o recorte de uma fala da juíza Vanessa Cavalieri, da vara de infância e juventude do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, responsável pelo julgamento dos adolescentes envolvidos no recente caso de estupro coletivo em Copacabana.
O vídeo da fala da juíza, disponível nas redes sociais, é elucidativo.
“Não é o primeiro, nem o décimo, nem o vigésimo caso de estupro coletivo entre adolescentes da mesma escola, entre escolas tradicionais de classe média que chega na minha vara”, disse a magistrada, acrescentando que, na maioria das vezes, o ato infracional é filmado e as autoridades têm acesso ao material.
“O que chama atenção nesses casos é que claramente esses meninos estão reproduzindo uma cena que viram num vídeo de sexo explícito. Num vídeo de pornografia“, afirmou.
Mesmo assim, ainda há quem duvide do quão onipresente a pornografia se tornou no mundo virtual.
Nos debates sobre uso de celulares nas salas de aula e sobre o ECA Digital, que acaba de entrar em vigor, parte das preocupações expressas pelas famílias aponta para um desconhecimento da realidade à qual seus filhos estão expostos na internet.
Há excesso de proteção no mundo físico e certa negligência no mundo virtual.
O verdadeiro perigo à espreita
À época do debate sobre os celulares nas escolas, o grande temor era a doutrinação.
Mesmo frente aos notórios benefícios da medida, muita gente temia sua implementação por considerar a possibilidade de os alunos filmarem os professores como uma das únicas defesas contra doutrinadores.
Mas professores doutrinadores, embora existam, raramente são a grande causa da oposição de valores entre as famílias e seus filhos.
O bicho-papão…
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