Roberto Ellery na Crusoé: Industrialização! Ora, a industrialização?
Política industrial brasileira tem servido, sobretudo, para transferir renda aos barões do país
O terceiro mandato de Lula começou com um apelo à “neoindustrialização” que ocorreria com apoio da Nova Indústria Brasil.
A ideia de usar políticas públicas para industrializar o país não é nova, muito pelo contrário. Quando leciono Economia Brasileira, gosto de abrir o curso com o célebre debate dos anos 1940 entre Roberto Simonsen e Eugênio Gudin.
Simonsen, líder empresarial que presidiu a Fiesp e a CNI, defendia a urgência de o governo se engajar no planejamento e na industrialização do Brasil.
Gudin, com carreira na iniciativa privada e viés mais acadêmico, era um liberal que acreditava que não cabia ao Estado planejar a economia nem direcionar capital para empresas ou setores específicos.
Muitos argumentos daquele debate ecoam até hoje sempre que se discute política industrial.
De um lado, afirma-se que a indústria é estratégica para a nação e que, sem um desenvolvimento industrial robusto, o Brasil estará condenado a ser eterno emergente, o “Fazendão” que vive de exportar matéria-prima para países desenvolvidos.
Do outro, apontam-se os interesses escusos de industriais que invocam o discurso da industrialização para arrancar benesses do governo, benesses pagas pela população na forma de impostos mais altos ou de produtos mais caros e de pior qualidade.
Não pretendo declarar quem tem razão absoluta. Também não sou neutro: nessa questão, considero-me herdeiro de Gudin.
A meu ver, a política industrial brasileira tem servido, sobretudo, para transferir renda aos barões da indústria instalada no país.
O fato é que Simonsen ganhou o debate histórico. Nas décadas seguintes, praticamente todos os governos brasileiros priorizaram o desenvolvimento da indústria de transformação.
Dados do IBGE, disponibilizados pelo Ipea, mostram que a participação desse setor no PIB cresceu desde meados dos anos 1940 até atingir o pico de cerca de 35,9% em 1985, patamar elevado até para nações…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)