Retrospectiva: o dia em que os Correios praticamente faliram
A crise na estatal levou ao ex-presidente dos Correios, Fabiano Silva, a entregar, em julho, uma carta de renúncia ao Palácio do Planalto
O Conselho de Administração dos Correios autorizou em 28 de novembro a contratação de operação de crédito no valor de 20 bilhões de reais. Segundo a estatal, o empréstimo é “uma das ações estratégicas de curto prazo que integram o Plano de Reestruturação da empresa“.
“Após a validação das instâncias internas de governança, exigida para operações dessa relevância, a empresa agora finaliza a documentação necessária para envio à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) – etapa que antecede a análise e aprovação pelo Controlador, uma vez que a operação contará com garantia da União“, acrescentou os Correios em nota oficial.
Além disso, a empresa afirma ainda “as condições financeiras da operação ainda estão sendo tratadas junto às instituições envolvidas e, por ora, não podem ser detalhadas“.
“Todas as informações oficiais sobre o Plano de Reestruturação dos Correios e sobre o andamento da operação de crédito serão divulgadas pelos canais institucionais da empresa”, conclui.
O rombo dos Correios
Os Correios registraram prejuízo de 4,37 bilhões de reais no primeiro semestre deste ano. No mesmo período do ano passado, o déficit foi de 1,35 bilhão de reais.
Apenas no segundo trimestre, o prejuízo foi de 2,64 bilhões de reais.
No primeiro trimestre, a empresa tinha registrado prejuízo de 1,72 bilhão de reais, o que levou a direção da estatal a cogitar aporte de recursos junto ao governo federal.
A crise na estatal levou ao ex-presidente dos Correios, Fabiano Silva, a entregar, em julho, uma carta de renúncia ao Palácio do Planalto.
Para o lugar de Fabiano, o presidente Lula (PT) escolheu Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil.
A explicação de Haddad para a crise dos Correios
No final de agosto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, atribuiu a crise dos Correios à quebra do monopólio.
“Houve a quebra do monopólio e hoje os Correios estão com um passivo de ter que entregar cartas para quem usa ainda os Correios nas regiões mais remotas do país”, afirmou o ministro em entrevista ao programa Canal Livre, da Band.
“Imagina, não tem como você pagar com selo a mandar (sic) uma carta física para o interior de uma região longínqua do país”, acrescentou.
“Então os Correios têm um problema estrutural que é o enorme subsídio daquilo que ficou para ele, porque quem concorre com os Correios não tem nenhuma obrigação de entregar carta. Ele só faz pelo preço que compensa. Então, olha a situação paradoxal que nós criamos. Quebrou-se o monopólio, o Correio ficou com uma obrigação (sic) e ele não tem funding para custear o subsídio”, seguiu.
“Enquanto todos os concorrentes dos Correios vão pegando o filé mignon, a picanha, e vão deixando os Correios com o osso para o qual ele não tem recurso para subsidiar”, finalizou.
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