Retrospectiva: o dia em que Glauber Braga escapou da cassação de mandato
Em 16 de abril de 2024, o deputado do Psol expulsou o militante do Movimento Brasil Livre com empurrões e chutes
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na noite de 10 de dezembro, a suspensão do mandato do deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) por seis meses. Foram 318 votos a favor e 141 contrários a uma emenda de plenário, de autoria do líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), que trouxe a punição em substituição à cassação do mandato, prevista em um projeto de resolução de autoria do Conselho de Ética. Houve ainda três abstenções.
O projeto de resolução declarava a perda do mandato, por quebra do decoro parlamentar, devido ao fato de Glauber ter agredido fisicamente o militante do MBL Gabriel Costenaro. Na justificativa da emenda de plenário, Lindbergh afirmou que a suspensão do mandato é “adequada e suficiente para reprovar a conduta, sem causar ruptura desproporcional na representação política, preservando-se o voto e evitando que a sanção seja instrumentalizada como mecanismo de perseguição parlamentar”.
Segundo o petista, Glauber agiu “em legítima defesa da honra de sua genitora, que se encontrava enferma, no exercício de reação à provocação injusta, o que caracteriza atenuante da conduta”.
Em 16 de abril de 2024, o deputado do Psol expulsou o militante da Câmara com empurrões e chutes. Naquela data, o parlamentar disse que Costenaro tem histórico de violência doméstica e de outras intimidações contra correligionários, incluindo uma suposta ameaça à mãe de um integrante do Psol no Rio de Janeiro.
Na sessão no plenário, nesta quarta, Glauber falou que não se arrepende de ter agredido o militante – a quem se referiu como “pobre diabo” -, pois reagiu a uma ofensa a sua mãe.
“Aquele pobre diabo que por sete vezes me atacou em espaços públicos e na quinta vez falou o que falou da minha mãe, não sabia o que estava dizendo, não sabia. Ele não está mais na cabeça, e eu nem carrego mais mágoa em relação àquele pobre diabo. Não carrego. Agora, fale de minha mãe, fale de meu filho, ameace minha família para ver do que eu sou capaz de fazer. Eu prefiro nem imaginar“, declarou.
Ainda de acordo com Glauber, a tentativa de cassação do seu mandato não tinha “absolutamente nada a ver com o chute na bunda dado no provocador”, mas sim com uma retaliação por parte do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
“Os senhores sabem que quem deu força a essa representação foi o ex-presidente da Câmara. Mas eu espero que ele, do ponto de vista político, seja responsabilizado por aquilo que faz comigo hoje, mas por aquilo que faz contra o Brasil”, falou o deputado do Psol.
Defesa da cassação
Entre os parlamentares que defenderam a cassação, esteve Kim Kataguiri (União-SP). “Todos os parlamentares que votam para salvar o Glauber Braga estão legalizando eu dar um pontapé no traseiro dos senhores. Porque se os senhores acham que isso é uma atitude compatível com um parlamentar, então amanhã eu estou agindo como os senhores defendem, eu estou dando um pontapé na sua bunda porque eu discordo de você”, afirmou.
O deputado do Psol chegou a fazer uma greve de fome no primeiro semestre em protesto contra o processo de cassação. Na terça-feira, 9, ocupou a Mesa Diretora da Câmara, como protesto também, e foi retirado à força pela Polícia Legislativa.
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