Retrospectiva: o dia de instalação da CPI do crime organizado no Senado
A CPI investiga o modus operandi das organizações criminosas, as condições de instalação e o desenvolvimento delas em cada região do Brasil
Ao contrário do que ocorreu com a CPMI do INSS, a base governista conseguiu emplacar um aliado no comando da CPI do crime organizado: o senador Fabiano Contarato (PT-ES). Ele foi eleito presidente do colegiado em 4 de novembro. A investigação começoua a se debruçar sobre as organizações criminosas do Rio de Janeiro e de todo o país.
Do outro lado, a relatoria da investigação ficou a cargo do senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Contarato venceu o oposicionista Hamilton Mourão (Republicanos-RS) com seis votos a cinco.
“Assumo a missão de presidir a CPI do Crime Organizado com humildade e com um compromisso inegociável: investigar com independência, transparência e coragem. Será uma comissão para ir até o topo da cadeia criminosa, para identificar e responsabilizar não apenas os executores, mas também os líderes, financiadores e cúmplices que lucram com a violência e a corrupção“, declarou o petista após ser eleito.
O ex-vice-presidente da República foi eleito vice-presidente da investigação.
O alívio do Palácio do Planalto na CPI do crime organizado
A escolha de um senador governista para comandar a investigação trouxe alívio para o Palácio do Planalto. Havia o receio de que ocorresse o mesmo da CPMI do INSS, quando, por um cochilo da base governista, a oposição conseguiu emplacar o relator e o presidente do colegiado.
A CPI foi criada em 17 de junho, com a leitura do requerimento em sessão no plenário da Casa Alta. O objetivo dela é apurar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no Brasil, em especial de facções e milícias. O prazo para conclusão dos trabalhos é de 120 dias, e o limite de despesas é de 30 mil reais.
A CPI investiga o modus operandi das organizações criminosas, as condições de instalação e o desenvolvimento delas em cada região do Brasil, além das respectivas estruturas de tomadas de decisão, de modo a permitir a identificação de soluções adequadas para o seu combate, principalmente por meio do aperfeiçoamento da legislação do país.
“Eu tenho a mais absoluta convicção de que se fizermos um trabalho correto, sóbrio, equilibrado, vamos entregar para o Brasil a mais relevante CPI que já tivemos nos últimos anos. O crime organizado hoje domina território brasileiro em proporção cada vez mais crescente. O crime organizado no Brasil está inserido em atividades econômicas relevantes. E, infelizmente, o crime organizado no Brasil também está inserido hoje na estrutura pública brasileira“, afirmou Alessandro Vieira.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)