Quinze policiais são presos por trabalhar para o jogo do bicho no Rio
Gaeco cumpriu 20 mandados contra integrantes do esquema de corrupção que garantia o funcionamento de pontos ilegais na zona oeste carioca
Quinze policiais militares foram presos na manhã desta terça-feira, 10, sob acusação de integrar o núcleo de segurança do contraventor Rogério de Andrade, apontado como um dos principais operadores do jogo do bicho na região de Bangu, no Rio de Janeiro.
A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ), e também resultou no cumprimento de um novo mandado de prisão contra o próprio Andrade, já recolhido à Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
No total, a Justiça expediu 20 mandados, dirigidos a 18 pessoas ligadas ao núcleo de segurança da organização – entre policiais militares e penais, na ativa e aposentados – além de um policial civil inativo cooptado pela quadrilha enquanto ainda exercia o cargo, segundo informações do Estadão.
Subtenentes entre os denunciados
Dos 16 policiais militares investigados, dez ocupam a patente de subtenente. Um deles permanece foragido. Os demais foram levados à unidade prisional da PM em Niterói. Os mandados foram cumpridos em endereços distribuídos por seis municípios: Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Mangaratiba, Nilópolis e São João de Meriti.
Os PMs denunciados estavam lotados em oito unidades distintas, entre elas a Subsecretaria de Gestão de Pessoas e o Batalhão de Policiamento de Vias Expressas. Ao menos uma arma sem registro foi apreendida durante as diligências.
Segundo o MPRJ, os agentes recebiam pagamentos para assegurar o funcionamento de pontos de exploração ilegal de apostas na área de Bangu, valendo-se da função pública para blindar as atividades da organização.
As imputações incluem os crimes de organização criminosa armada, com agravantes pelo envolvimento de servidores públicos e pela conexão com outras facções, além de corrupção ativa e passiva.
Histórico do caso
A operação desta terça-feira não é a primeira etapa da investigação. Em janeiro de 2025, dois PMs aposentados já haviam sido detidos na Operação Pretorianos, também do Gaeco, acusados de atuar como seguranças de Andrade. O contraventor foi preso em 2024, durante a Operação Último Ato, em sua residência em um condomínio na Barra da Tijuca.
Sobrinho do contraventor Castor de Andrade, figura histórica do jogo do bicho na zona oeste do Rio, Rogério também responde por envolvimento no homicídio de Fernando de Miranda Ignáccio, genro de Castor.
As instituições com agentes envolvidos no caso divulgaram notas. A Secretaria de Polícia Militar afirmou que “não compactua com desvios de conduta” e que os policiais serão submetidos a processos administrativos disciplinares.
A Secretaria de Administração Penitenciária informou que a corregedoria acompanhou a ação e que uma sindicância interna será instaurada. A Polícia Civil disse ter aberto processo administrativo contra o policial civil inativo identificado na investigação.
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