Presidente de escola que homenageou Lula recebeu auxílio de governo Jair Bolsonaro
Os pagamentos recebidos por Wallace Palhares ocorreram entre abril de 2020 e outubro de 2021. Ao todo, ele recebeu R$ 5,9 mil
Apesar de ser um dos responsáveis pelo enredo enaltecendo o presidente Lula e de ter dado aval a várias alas criticando o governo Jair Bolsonaro, o presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói, Wallace Alves Palhares (foto, ao lado de Gleisi Hoffmann), recebeu aproximadamente R$ 6 mil a título de auxílio emergencial durante a pandemia de Covid.
O auxílio emergencial foi uma das principais bandeiras de Jair Bolsonaro. Tanto que o ex-presidente da República manteve o benefício de R$ 600 durante o ano de 2022, mesmo após o término da pandemia, justamente de olho nos frutos eleitorais do programa.
Os pagamentos recebidos por Wallace Palhares ocorreram entre abril de 2020 e outubro de 2021. Ao todo, ele recebeu R$ 5.950 do programa criado ao longo do governo Jair Bolsonaro.
O desfile da Acadêmicos de Niterói não somente exaltou o presidente Lula como também ironizou o ex-presidente Jair Bolsonaro. Tanto no carro abre alas quando em uma das alegorias, Bolsonaro foi retratado como o palhaço Bozo. Em um dos carros alegóricos, a escola retratou a prisão do ex-presidente.
Palhares também trabalhou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, mas foi exonerado no início deste ano. Ele havia sido contratado como assessor da Alerj por indicação do deputado Dionísio Lins (Progressistas) e estava abrigado na Comissão de Transportes da Casa. Seu salário base era de aproximadamente R$ 2,5 mil. Em janeiro, com gratificações, seus vencimentos chegaram a R$ 8 mil.
Oficialmente, Palhares é sócio-administrador de duas empresas: a WP Consulting e Fino Trato Selo Musical.
Desfile virou alvo de ação no TSE
O Partido Missão protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) representação com pedido de liminar contra o presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a escola de samba Acadêmicos de Niterói, após o desfile realizado no último domingo, 15, na Marquês de Sapucaí.
A sigla sustenta que a homenagem ao presidente ultrapassou o caráter cultural e assumiu contornos de campanha eleitoral fora do período permitido pela legislação. O caso foi distribuído à ministra auxiliar da propaganda eleitoral Estela Aranha.
Segundo a petição, o desfile reuniu elementos típicos de propaganda política e não apenas celebração carnavalesca.
O partido afirma que a apresentação trouxe “muitos mais elementos configuradores das irregularidades que esse TSE considera como propaganda antecipada punível”.
Entre os pontos citados estão referências a programas sociais dos governos petistas, símbolos partidários, menções ao número da legenda e gestos associados a campanhas anteriores. A ação também menciona telões com imagens da trajetória política de Lula, incluindo momentos de campanhas passadas e o uso da faixa presidencial.
Para a sigla, o conjunto da apresentação transformou a homenagem em promoção eleitoral. O documento sustenta que houve “muitos os elementos eleitorais que convolaram a homenagem em descarada campanha eleitoral, desvirtuando completamente a liberdade de expressão cultural e carnavalesca“.
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