Presidente da OAB-SP defende investigar ministros do STF por ligação com Master
Leonardo Sica cita notícias e cobra atuação da PGR
O presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, afirmou nesta segunda-feira, 6, que existem elementos suficientes para que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sejam investigados por ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro (foto) e o Banco Master.
“Tudo que eu conheço é pelas notícias, e acho que as notícias merecem investigações, sim. Nós temos que apontar para a Procuradoria-Geral da República, que está silente”, afirmou Sica a jornalistas na sede do órgão.
“A melhor situação para quem está sob suspeita é ter uma investigação, porque te permite sair da suspeita, te permite filtrar a suspeita. Se existem suspeitas, a melhor solução que a nossa democracia conhece é a investigação”, acrescentou.
Sica, contudo, ressaltou que não pretende personalizar as críticas.
“Não estou dizendo sobre pessoas. Ter pessoas sobre suspeita não me preocupa. Me preocupa ter uma instituição sobre suspeita.”
“Acho que fatos precisam ser investigados. Ministros recebem carona em jatos particulares. A gente tem que investigar amplamente isso, investigar amplamente todo e qualquer. Até porque, pelo que vocês vêm noticiando… Não quero personalizar mesmo, senão a gente não enfrenta o problema.”
Nunes Marques e o voo
O ministro Kassio Nunes Marques, do STF, viajou de Brasília a Maceió em um avião particular ligado a empresas que administram bens do banqueiro Daniel Vorcaro, diz o Estadão. A viagem ocorreu em novembro do ano passado e teve como destino uma festa de aniversário na capital alagoana.
Segundo o próprio ministro, o convite partiu da advogada Camilla Ewerton Ramos, que teria arcado com os custos do voo.
“No dia 14/11/25, o ministro Nunes Marques e a esposa viajaram para festa de aniversário de Camilla, casada com o desembargador Newton Ramos, que foi colega do ministro no TRF-1. Camilla convidou o ministro e outros casais de amigos e ficou responsável pelo voo e detalhes da viagem”, afirmou Nunes Marques em nota.
Caso Master
Outros episódios aproximam Nunes Marques de interesses ligados ao Banco Master.
Reportagens apontaram pagamentos a escritório vinculado a seu filho e mensagens trocadas com o banqueiro em investigações da Polícia Federal.
Registros societários da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) indicam uma conexão direta entre a Consult Inteligência Tributária e o Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária (IPGT), empresa cujo sócio majoritário é o advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro do STF, segundo a Piauí.
Como mostramos, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) localizou repasses de 18 milhões de reais do Banco Master e da JBS para essa empresa de consultoria, que contratou o escritório de Carvalho.
O banco de Daniel Vorcaro pagou 6,6 milhões de reais à Consult, enquanto a empresa dos irmãos Wesley e Joesley Batista, por sua vez, repassou 11,3 milhões de reais.
O filho de Nunes Marques afirmou que o pagamento de R$ 282 mil recebido por seu escritório refere-se a um trabalho “voltado ao fisco administrativo”.
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