PF achou carta às Forças Armadas com namorada de Martins PF achou carta às Forças Armadas com namorada de Martins
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PF achou carta às Forças Armadas e crachá com namorada de Filipe Martins

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Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 01.04.2024 10:48 comentários
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PF achou carta às Forças Armadas e crachá com namorada de Filipe Martins

A validade prevista no crachá era até 31 de dezembro de 2026, data que marcaria o término do segundo mandato de Jair Bolsonaro, caso ele tivesse sido reeleito

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PF achou carta às Forças Armadas e crachá com namorada de Filipe Martins
Foto: SR/PF/PR

Durante a operação que prendeu Filipe Martins (à esquerda na foto) em 8 de fevereiro, a Polícia Federal encontrou no telefone de sua namorada, Anelise Hauagge, uma “carta aberta” com pedido de “ajuda às Forças Armadas”, “implorando” que “um poder moderador neutro” investigue e reestabeleça a “credibilidade da Democracia Brasileira”.

Os agentes da PF também encontraram um crachá do blogueiro, lotado como assessor da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro. A validade prevista era até 31 de dezembro de 2026, data que marcaria o término do segundo mandato do ex-presidente, caso ele tivesse sido reeleito.

Os achados foram revelados pela Veja no domingo, 31. Anelise, que atuou em cargo comissionado no Ministério das Comunicações entre janeiro de 2021 e janeiro de 2023, não é investigada, mas estava no endereço alvo de buscas e teve o aparelho submetido a uma “análise preliminar”, segundo o relatório da Operação Tempus Veritatis. Martins é investigado por atuação no “núcleo jurídico” que elaborou minutas para dar ares de legalidade a um golpe de Estado. Ele está preso preventivamente em razão de “fortes indícios” de que teria fugido do Brasil no final de 2022.

Os blogueiros de crachá

Em 11 de outubro de 2019, Crusoé publicou a matéria de capa “Os blogueiros de crachá”, na qual Felipe Moura Brasil, três anos antes da derrota eleitoral de Bolsonaro que turbinaria o 8/1, descreveu as boquinhas e o reacionarismo aloprado da militância virtual bolsonarista.

Dez dias depois, em 21 de outubro daquele ano, o autor da reportagem ainda ironizou, no então Twitter, “os carreiristas de gabinete que julgam ter ascendido na vida puxando saco de político e virando flanelinha de militância” e que “não conseguem conviver com a ideia de que alguém possa ser livre para descrever o que fazem”.

A “carta aberta” encontrada pela PF, com lacunas de nome, RG, local e assinatura a serem preenchidas por cada cidadão alinhado às narrativas bolsonaristas, seria mais um instrumento de pressão sobre as Forças Armadas, para que elas garantissem a permanência de Bolsonaro no poder e o carreirismo de gabinete dos blogueiros de crachá.

Mas não adiantou implorar. Os então comandantes do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, e da FAB, Carlos de Almeida Baptista Júnior, confirmaram em depoimento o relato do ex-ajudante de ordens da Presidência e atual colaborador, Mauro Cid, de que negaram a Bolsonaro qualquer possibilidade neste sentido.

Eis o texto da carta:

“Declaração aberta de insegurança e dúvida sobre o processo eleitoral Brasileiro
Eu, __, brasileiro (a), portador do RG , venho por meio desta carta aberta expor minha insegurança e dúvida em relação ao processo Democrático da última eleição presidencial.

Essa insegurança se origina justamente de todo o histórico comprovadamente desequilibrado do processo eleitoral. Reforço a manobra jurídica que permitiu que um condenado por vários juízes, com base em provas reais, que deveria ser inelegível pela Lei da Ficha Limpa e inclusive de devolução de bilhões aos cofres públicos, fosse candidato ao cargo de Presidente da República. Somente este fato já justificaria uma ação. A reputação da nossa Pátria está em jogo.

Destaco a forma como defenderam a urna eletrônica como segura e inviolável, não permitindo a discussão sobre a necessidade de um mecanismo de auditoria física, como acontece nas maiores democracias do mundo e que atenderia à exigência constitucional de que a contagem do voto, como ato administrativo, observe o princípio da publicidade.

Sem falar na Censura estabelecida apenas a veículos, empresários e influenciadores de um dos lados do pleito, resultado em total desequilíbrio e falta de isonomia, pois claramente o que não valia pra um lado valia para o outro.

A maneira como foi conduzido o processo das campanhas gratuitas de rádio e TV, com evidente desequilíbrio nos julgamentos de direito de resposta, com permissão de fake news favoráveis a uma das candidaturas e com desequilíbrio no tempo utilizado nas rádios, sempre em benefício do mesmo candidato.

A indignação sobre a apuração das urnas, com centenas de casos matematicamente improváveis, com comportamento absurdamente fora da realidade racional e indicação tecnicamente crível de atividade algorítmica em determinados modelos de urnas.

Tudo isso me faz pacificamente, implorando ajuda de um poder moderador neutro para investigar e reestabelecer a credibilidade da Democracia Brasileira. Exerço aqui o dever de cidadão e peço ajuda às Forças Armadas, para que tragam credibilidade e isenção a investigação do processo eleitoral.

Se essa dúvida persistir não existirá ambiente de unificação no país.

Local _ 05 de Novembro de 2022

Assinatura.”

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