Pedro Campos cobra posição de Raquel Lyra e critica silêncio político
Deputado diz que governadora de Pernambuco evita assumir lado e atribui postura à base bolsonarista; "Pernambuco não é uma ilha”
O vice-líder do governo na Câmara, Pedro Campos (PSB-PE), subiu o tom contra a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), ao acusá-la de evitar se posicionar no debate político nacional e repetir a estratégia de neutralidade adotada nas eleições de 2022. Em entrevista ao SBT News, no programa Sala de Imprensa, exibido neste domingo, 5, o deputado afirmou que a postura da governadora é influenciada por base política.
“Precisava mais o que, ter um adversário pior que Bolsonaro para ela dizer que votava em Lula? Ou ter um presidente melhor para Pernambuco do que Lula foi nestes últimos 4 anos? Garantindo que as principais obras que acontecessem no estado sejam obras do governo federal”, afirmou.
Na avaliação do parlamentar, Raquel evita declarar apoio ao presidente Lula por pressão interna. “Ela não vai fazer isso porque parte das pessoas que fazem parte do governo dela, que são eleitores dela, são na verdade da direita, do PL, do bolsonarismo”, disse.
A crítica ocorre em meio ao novo cenário político nacional, com o lançamento da pré-candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República pelo PSD, partido de Raquel Lyra. Para Campos, o movimento aumenta a dificuldade de a governadora sustentar posição de neutralidade.
“Pernambuco não é uma ilha. E pra gente querer o melhor para Pernambuco tem que querer o melhor para o Brasil e a gente não pode se esconder das lutas nacionais. Pernambuco nunca se escondeu das lutas nacionais”, afirmou.
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O parlamentar também abordou a recomposição de forças no campo progressista no estado, historicamente marcado por disputas entre famílias políticas tradicionais. Segundo ele, o avanço da direita acabou reduzindo divergências internas.
“Acho que essa disputa contra o bolsonarismo acabou dividindo parte do Brasil, mas unindo outra parte, porque as diferenças que nós temos com Marília, com o PT, com o PSOL, e com outros partidos do campo progressista ficaram muito pequenas em relação às diferenças que nós temos com a extrema direita que surgiu no Brasil. Isso é fato e acabou nos unindo”, disse.
Licença-paternidade
Na mesma entrevista ao SBT News, Pedro Campos também comentou os bastidores da aprovação da ampliação da licença-paternidade, sancionada neste mês. Segundo ele, a proposta enfrentou resistência dentro do próprio governo, especialmente na área econômica.
“Quem mais ajudou foram as ministras mulheres, os ministros homens não eram tão simpáticos à pauta. Tivemos muita resistência com a Casa Civil e Fazenda por questões, principalmente, fiscais. Sabe aquela coisa de colocar mais problema do que solução, mas terminou que com a força política foi votado”, comentou.
A medida amplia gradualmente a licença, hoje de cinco dias, e passa a incluir trabalhadores que antes estavam fora da cobertura, como autônomos, microempreendedores individuais e agricultores familiares vinculados ao INSS.
“Se encomendar o filho agora, já vai nascer em janeiro do ano que vem, já vai ter direito ao dobro da licença paternidade. Não é só o CLT, tem também autônomos, MEI’s, agricultores familiares, que já contribuem com o INSS e não tinham direito a esse benefício”, disse.
O deputado defendeu que a ampliação do período tem impacto direto na divisão de responsabilidades familiares e no mercado de trabalho. “Quando se amplia a licença paternidade, dá uma sinalização para sociedade de que o dever de cuidar é do homem e da mulher. Os dois fizeram o filho juntos, os dois tem que cuidar juntos daquela criança”, concluiu.
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