Panamá critica condições de hospedagem para COP30 em Belém
“Estamos sendo feitos de tolos”, diz representante do país
O representante do Panamá no Bureau da COP, João Carlos Monterrey, afirmou que o Brasil não tem ouvido as demandas das delegações sobre os altos preços das hospedagens em Belém, sede da COP30, marcada para novembro.
“Estou absolutamente surpreso e, sinceramente, confuso… nossas palavras parecem entrar por um ouvido e sair pelo outro”, escreveu Monterrey nas redes sociais após reunião do bureau, na sexta-feira, 22.
“É como se estivéssemos vivendo em uma realidade paralela toda vez que participamos dessas reuniões. Além disso, nosso tempo está sendo desperdiçado, e estamos sendo feitos de tolos.”
O Brasil enfrenta críticas sobre o valor das acomodações, que partem de US$ 350 por diária (cerca de R$ 1,9 mil), e a quantidade de leitos disponíveis. Mais de 70% das delegações ainda não reservaram hospedagem.
Monterrey afirmou que solicitou formalmente à ONU orientações para tentar mudar a cidade-sede.
“Não podemos sediar uma COP em condições que excluem a participação e violam os princípios fundamentais do multilateralismo”, disse.
O governo brasileiro descartou a possibilidade de subsidiar as hospedagens das delegações.
“O governo brasileiro já está arcando com custos significativos para a realização da COP, então, por isso, não há como subsidiar delegações de países e, inclusive, delegações de países que são mais ricos que o Brasil”, afirmou Miriam Belchior, secretária-executiva da Casa Civil.
Até agora, 47 dos 196 países confirmaram presença na conferência. O número representa apenas 24% do total.
Para facilitar a participação, o governo promete criar uma força-tarefa para ajudar delegações a encontrarem acomodações e firmar acordos com moradores locais para preços mais acessíveis.
“Não é como Paris”
Em meio à crise, o presidente Lula afirmou na última sexta-feira, 22, que a COP30 não será realizada em um “lugar chique” como “Paris” e “Dubai”.
“A gente tá fazendo na Amazônia, em situações, sabe, não é como Paris, não é como Dubai, não vai ser num lugar chique desse, é a Amazônia”, disse Lula, durante encontro da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), na Colômbia.
A declaração foi feita a menos de três meses para o evento.
Crise logística
Com menos de 100 dias restantes até o evento, a COP30 enfrenta uma crise logística.
A elevação dos preços levou representantes de países insulares, africanos e latino-americanos a solicitarem, em reunião da UNFCCC, que a conferência seja transferida de Belém.
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, reconheceu a gravidade da situação: “Os hotéis parecem não estar cientes da crise que estão criando”, disse.
A escalada dos preços ameaça o quórum necessário para a realização da conferência e representa um risco político para o governo Lula em ano eleitoral.
Em nota, o governo do Pará afirmou que já adota medidas para oferecer hospedagens acessíveis durante o evento.
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Comentários (5)
Marian
25.08.2025 16:08A vergonha não será maior, porque não virão todos.
Fabio B
25.08.2025 08:41O pior disso não é a falta de estrutura ou mesmo o tanto de dinheiro que foi roubado, desviado e desperdiçado nessa vergonha mundial, e sim que esse evento serve basicamente para atacar o agro brasileiro.
Marcia Elizabeth Brunetti
25.08.2025 08:20Agora o dor urso do Lula mudou: “não é Paris”, “vamos mostrar o verdadeiro Brasil”. Tá bom, vamos passar vergonha e Lula carregará essa culpa, junto com a pobre Marina.
Andre Luis Dos Santos
24.08.2025 22:19"Eu gosto de levar vantagem em tudo, certo?". A famosa Lei de Gerson. Os donos de hotéis devem estar pensando "vamos esfolar esses otarios".
Emerson
24.08.2025 18:44Alguma novidade ?!?!