“Os 129 mi eram para pagar o serviço de quem? E que tipo de serviço?”
ONG cobra esclarecimentos sobre encontros do ministro do STF Alexandre de Moraes com dono do Banco Master
A ONG Transparência Internacional – Brasil comentou nesta terça-feira, 27, a informação divulgada pelo portal Metrópoles de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, esteve na mansão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em Brasília, pelo menos duas vezes.
Em postagem no X, a TI afirmou ser “imperativo esclarecer” a quem o contrato de R$ 129 milhões era destinado e para qual tipo de serviço foi contratado.
“GRAVE: já se sabia de jantar de Moraes na mansão de Vorcaro. Sabe-se agora que não foi o único e que esteve em conversa c/ presidente do BRB, banco público que salvaria o Master. O ministro, não a esposa contratada por 129 milhões. Imperativo esclarecer: os 129 mi eram pra pagar o serviço de quem? E que tipo de serviço?”, diz a publicação.
O escritório da mulher de Moraes e o Master
O escritório Barci de Moraes, no qual trabalha Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, foi contratado pelo Banco Master em 2024.
Por mês, o escritório da esposa de Moraes recebia 3,6 milhões de reais do banco de Daniel Vorcaro.
O documento aponta que o escritório da família de Moraes foi contratado para atuar na defesa dos interesses da instituição financeira junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.
Além de Viviane, trabalham no escritório os dois filhos do ministro do STF.
Diz o contrato:
“Para a execução do objeto do presente contrato, a contratada realizará: organização e a coordenação de cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa – perante o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Judiciária (em outras palavras, a Polícia Federal), órgãos do Executivo (Banco Central, Receita Federal, PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, Cade (órgão de defesa da concorrência) e Legislativo (acompanhamento de projetos de interesse do contratante).”
O escritório Barci de Moraes firmou um contrato de 129 milhões de reais por três anos com o Master.
Os pagamentos, no entanto, foram interrompidos com a liquidação extrajudicial da instituição financeira.
Até outubro de 2025, último mês antes da intervenção pelo BC, o contratou gerou ao escritório de advocacia pelo menos 79 milhões de reais.
Mensagens trocadas entre Vorcaro e sua equipe indicam que os pagamentos para o escritório de Viviane Barci de Moraes eram prioridade e “não podiam deixar de ser feitos em hipótese alguma”, segundo o jornal.
A investigação da PF
O caso tramita no STF desde dezembro, após decisão do ministro Dias Toffoli, relator do processo. A investigação busca detalhes da tentativa de aquisição do Master pelo BRB, interrompida pelo Banco Central, e envolve operações que teriam movimentado cerca de 12 bilhões de reais em carteiras de crédito falsas.
Segundo a Polícia Federal, o Banco Master oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos até 40% acima da média do mercado, considerados irrealistas pelos investigadores.
Há indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema, que também teria contado com elos societários, familiares ou funcionais para inflar artificialmente ativos do banco.
Em março, o BRB chegou a fechar acordo para comprar o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central
Leia mais: As visitas de Moraes ao dono do Banco Master
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Comentários (2)
Marcosrainho.mr@Gmail.com
27.01.2026 19:43O JANTAR ERA PARA VER O JOGO DE FUTEBOL.
Luis Eduardo R. Caracik
27.01.2026 18:45Antagonistas, vocês viram este contrato? Por que não publicam a imagem dele, já que até extraíram até uma cláusula, acima reproduzida?