O que diz a lei sobre perfurar um poço artesiano na própria casa?

07.02.2026

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O que diz a lei sobre perfurar um poço artesiano na própria casa?

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6 minutos de leitura 23.12.2025 08:04 comentários
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O que diz a lei sobre perfurar um poço artesiano na própria casa?

Ter um poço artesiano passou a ser uma alternativa comum em propriedades urbanas e rurais que enfrentam falhas de abastecimento ou desejam reduzir custos com a conta de água.

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O que diz a lei sobre perfurar um poço artesiano no Brasil? Créditos: depositphotos.com / mustafaileri16

Ter um poço artesiano passou a ser uma alternativa comum em propriedades urbanas e rurais que enfrentam falhas de abastecimento ou desejam reduzir custos com a conta de água.

Apesar disso, a perfuração e o uso desse tipo de poço são atividades altamente reguladas no Brasil. Quando não seguem as exigências dos órgãos ambientais e de recursos hídricos, o poço pode ser enquadrado como irregular e até caracterizar infração ambiental.

Em 2025, o tema chama atenção justamente porque muitos poços funcionam sem qualquer registro oficial. A perfuração atinge diretamente os aquíferos subterrâneos, que são reservas estratégicas de água doce.

Um projeto mal planejado ou executado sem supervisão técnica pode gerar contaminação, reduzir a disponibilidade de água na região e causar conflitos de uso, o que explica a necessidade de licenças e controles específicos.

Poço artesiano é crime? Em que situações ele é considerado clandestino?

A palavra-chave central nesse debate é poço artesiano clandestino. O poço deixa de ser apenas uma estrutura de captação de água e passa a ser problema jurídico quando é perfurado, operado ou mantido sem autorização dos órgãos competentes.

A irregularidade costuma surgir em três momentos principais: ausência de licença para perfuração, falta de outorga de uso da água e descumprimento das normas técnicas de construção e proteção sanitária.

Um poço artesiano pode ser considerado clandestino, em linhas gerais, quando:

  • É aberto sem qualquer licença de perfuração emitida pelo órgão ambiental estadual ou por entidade equivalente;
  • Não possui outorga de direito de uso da água ou dispensa formalmente concedida;
  • Não observa normas técnicas da ABNT, como exigências para revestimento, vedação e proteção do aquífero;
  • Nunca foi cadastrado nos sistemas oficiais de controle de recursos hídricos;
  • Continua em operação mesmo após embargo ou determinação de lacre por órgão fiscalizador.

Nessas condições, o proprietário pode ser enquadrado em infrações previstas na Política Nacional de Recursos Hídricos e em legislações ambientais estaduais, sujeito a sanções administrativas, civis e, em alguns casos, penais.

Para que o poço artesiano regularizado exista de forma segura, é preciso seguir um roteiro básico de licenciamento.

O processo pode mudar um pouco de um estado para outro, mas costuma envolver três eixos principais: aprovação do projeto, controle técnico da obra e autorização para uso da água subterrânea.

A participação de geólogos, engenheiros e empresas especializadas é essencial para garantir que o poço seja aceito pelos órgãos públicos.

Entre as exigências mais comuns estão:

  1. Licença de perfuração
    Emitida pelo órgão ambiental ou de recursos hídricos, autoriza a abertura do poço em local e profundidade definidos. Para isso, são avaliados fatores como:
    • características geológicas da área;
    • distância de fossas, cemitérios, postos de combustível e outras fontes de contaminação;
    • interferência com sistemas públicos de abastecimento;
    • demanda estimada de água.
  2. Projeto técnico e responsabilidade profissional
    O projeto precisa ser elaborado por profissional habilitado, com ART ou documento equivalente, indicando método construtivo, diâmetro, profundidade, revestimentos e sistema de bombeamento.
  3. Atendimento às normas da ABNT
    Normas como a NBR 12212 (projeto de poços tubulares) e a NBR 12244 (construção de poços tubulares) estabelecem padrões para evitar contaminação, perdas e riscos estruturais.
  4. Outorga ou dispensa do direito de uso da água
    Documento que define o quanto de água pode ser captado, por quanto tempo e para qual finalidade (doméstica, industrial, agrícola, comercial etc.). Em captações pequenas, alguns estados permitem dispensa de outorga, mas essa dispensa também precisa ser formalizada.
  5. Licença ou controle sanitário
    Quando o poço fornece água para consumo humano, costuma ser necessária licença ou acompanhamento da vigilância sanitária, com análises periódicas de qualidade da água.

Leia também: Onça-pintada encontra família de ariranhas e confronto tem resultado inusitado

Quais são as principais consequências de um poço artesiano ilegal?

O funcionamento de um poço artesiano ilegal pode gerar efeitos em três frentes: financeira, ambiental e jurídica.

No aspecto econômico, além das despesas com eventual regularização, o proprietário fica sujeito a multas que variam conforme a legislação estadual e a gravidade da infração.

Há casos em que os valores são calculados por dia de uso irregular, o que amplia consideravelmente o montante devido.

Do ponto de vista ambiental, um poço feito sem critérios pode:

  • Criar rotas de contaminação entre a superfície e o aquífero;
  • Comprometer a qualidade da água de outros poços da região;
  • Reduzir a disponibilidade de água subterrânea, afetando propriedades vizinhas;
  • Dificultar o monitoramento dos aquíferos pelos órgãos gestores.

No campo jurídico, a legislação brasileira prevê sanções como advertências formais, multas simples ou diárias, embargo provisório da captação e até determinação de tamponamento definitivo do poço.

Em situações de dano comprovado ao meio ambiente ou de descumprimento reiterado de ordens administrativas, podem surgir ações civis públicas, pedidos de indenização e responsabilização criminal, a depender do caso concreto e das normas locais.

Como evitar que o poço seja considerado clandestino?

Para afastar o risco de ter o poço classificado como clandestino, o caminho mais seguro é planejar o projeto desde o início com base nas exigências legais. Algumas medidas costumam ser decisivas:

  • Consultar previamente o órgão gestor de recursos hídricos do estado;
  • verificar se a área possui restrições, zonas de proteção ou histórico de contaminação;
  • Contratar profissionais habilitados para estudo hidrogeológico e execução da obra;
  • Guardar todos os laudos, relatórios, ARTs, licenças e comprovantes de outorga;
  • Realizar análises periódicas da água e manutenções preventivas no poço.

Ao seguir essa rotina e manter a documentação em dia, o proprietário tende a reduzir riscos de autuações, preservar o aquífero e garantir que o poço artesiano funcione como uma fonte de água segura, estável e alinhada às normas ambientais vigentes.

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