Nunes Marques suspende afastamento do prefeito ‘tiktoker’ de Sorocaba
Rodrigo Manga estava afastado do cargo desde 6 de novembro de 2025, quando foi alvo da segunda fase da operação Copia e Cola da Polícia Federal
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu na terça-feira, 31, o afastamento de Rodrigo Manga (Republicanos, foto), o prefeito ‘tiktoker’ de Sorocaba, município do interior de São Paulo.
Manga estava afastado do cargo desde 6 de novembro de 2025, quando foi alvo da segunda fase da operação Copia e Cola da Polícia Federal.
Na decisão, o ministro do STF alegou que o afastamento de Rodrigo Manga representava uma “intervenção excessiva na esfera política e administrativa do município de Sorocaba”.
Para Nunes Marques, a decisão poderia oferecer um risco de intervenção ainda maior na opção do prefeito de se inscrever na disputa de cargos na corrida eleitoral deste ano.
O prazo para os candidatos lançarem pré-candidaturas termina no sábado, 4.
Válido por 180 dias, o afastamento havia sido determinado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
Rodrigo Manga é conhecido como prefeito ‘tiktoker’ por causa dos vídeos que publica nas redes sociais.
Manga comemora
A defesa do prefeito Rodrigo Manga celebrou a decisão do ministro Nunes Marques.
“Efetivamente, a Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal reconheceu a inexistência de razões e fundamentos para a manutenção do afastamento temerário e precipitado, à míngua de elementos mínimos que pudessem evidenciar qualquer ilicitude praticada pelo Prefeito Manga”, afirmou.
Líder de uma organização criminosa
A Polícia Federal apontou Rodrigo Manga como o líder de uma organização criminosa e beneficiário de esquema de corrupção envolvendo contratos públicos.
De acordo com o relatório, a PF identificou indícios de que as atividades ilícitas começaram em janeiro de 2021, logo após Manga assumir o primeiro mandato. A PF afirma que o grupo usava contratos de publicidade falsos para dar aparência legal ao dinheiro supostamente obtido irregularmente.
“O investigado Rodrigo Manga, como se viu ao longo da descrição fática exposta na presente representação, é o líder do grupo criminoso investigado e principal beneficiário das práticas delitivas que ora estão em andamento. Dessa forma, a suspensão da função pública que ele ocupa se mostra de suma importância para interromper os crimes que estão sendo praticados no âmbito da Administração Pública Municipal de Sorocaba/SP”, diz trecho do relatório.
As investigações apontam que os contratos foram firmados pela 2M Comunicação e Assessoria, empresa da esposa do prefeito, Sirlange Rodrigues Frate, com pessoas jurídicas ligadas a outros investigados: a Sim Park Estacionamento EirelI, que pertence a Marco Silva Mott, e a Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, de Josivaldo de Souza, cunhado de Manga, e de Simone Rodrigues Frate Souza, irmã de Sirlange.
“Nesse sentido, resta claro que os contratos de publicidade firmados pela empresa da esposa do Prefeito de Sorocaba/SP, o investigado Rodrigo Maganhato, com as pessoas jurídicas acima relacionadas, não passam de ficção, um estratagema elaborado com a finalidade de reinserir na economia formal os vultosos valores de origem ilícita, provenientes da atividade criminosa desenvolvida pelo grupo, intrinsecamente vinculada ao exercício do nobre cargo eletivo de prefeito municipal (…)”, diz o documento.
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