Musa da Gaviões é denunciada por lavagem de dinheiro do PCC
MP-SP aponta que imóvel e veículo de luxo teriam sido comprados com recursos ilícitos; defesa alega dupla imputação e nega envolvimento
A dançarina e influenciadora Natacha Horana, conhecida por ter feito parte do elenco de bailarinas do programa do Faustão, na TV Globo, e por desfilar como musa da escola de samba Gaviões da Fiel, foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo por suspeita de lavagem de dinheiro com conexão ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Segundo a Folha, a denúncia foi apresentada na quinta-feira, 19, pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Segundo o MP-SP, Natacha teria ocultado a titularidade de um imóvel e de um automóvel da marca Mercedes-Benz, avaliado em R$ 320 mil, adquiridos com dinheiro de origem ilícita. O veículo teria sido pago à vista, em espécie, o que, na avaliação dos promotores, foi usado para dificultar o rastreamento dos valores. A acusação indica ainda que ela mantinha um relacionamento com Valdeci Alves dos Santos, o “Colorido”, apontado pelo MP como líder da organização criminosa.
A denúncia do Gaeco enquadra a dançarina no crime de lavagem de dinheiro, que prevê pena de três a dez anos de reclusão, além de multa. O uso de dinheiro vivo em transações de alto valor é um dos elementos mais usados pelo Ministério Público para demonstrar a intenção de dissimular a origem dos recursos em casos dessa natureza.
O caso ganhou visibilidade por ter sido tornado público poucos dias depois de Natacha desfilar no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, pela Gaviões da Fiel, escola que ficou em segundo lugar no Carnaval 2026. Ela também constava da lista de participantes do desfile das campeãs, agendado para o sábado, 21 de fevereiro.
Defesa contesta e invoca princípio jurídico
Os advogados de Natacha afirmaram ter recebido a notícia com surpresa. Em nota, a defesa negou qualquer participação da cliente nos fatos descritos pelo MP: “No que diz respeito às acusações, imprescindível reforçar que a nossa cliente foi injustamente envolvida em investigação, sendo que jamais praticou qualquer ato ilícito, direto, indireto ou colaborativo”.
A defesa acrescentou que não teve acesso aos autos, e que a denúncia paulista seria uma repetição de apuração já em andamento no Rio Grande do Norte, o que configuraria, segundo os advogados, “patente violação à proibição de dupla imputação” – princípio jurídico que impede alguém de ser processado duas vezes pelos mesmos fatos. A equipe jurídica disse confiar na absolvição da cliente.
Não é a primeira vez que Natacha responde a acusações do gênero. Em 2024, ela ficou detida por quatro meses após ser alvo da Operação Argento, conduzida pelo Ministério Público da Paraíba, que investigou sua relação com “Colorido”.
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