MPF identifica uso de “laranjas” em operações de R$ 5,7 bi do Banco Master
Clínicas teriam sido usadas para simular operações; A proprietária de uma deles foi beneficiária de auxílio-emergencial
Investigação do Ministério Público Federal (MPF) identificou que o Banco Master aportou recursos em empresas vinculadas a sócios da própria instituição em operações que somam R$ 5,7 bilhões.
O montante total foi integralmente bloqueado após a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quarta, 14.
As informações foram utilizadas na decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra Daniel Vorcaro e outros integrantes da suposta organização criminosa
Segundo os investigadores, o Master utilizava fundos nos quais era o único cotista para comprar notas comerciais (NCs), títulos de crédito de renda fixa, e direitos creditórios de empresas que eram relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
“Assim, dos mais de R$ 3,5 bilhões investidos pelo Banco Master em fundos dos quais é cotista único, aproximadamente R$ 1,8 bilhão foi destinado à aquisição de NCs emitidas por empresas vinculadas aos próprios sócios, o que caracteriza a presença de fortes indícios de estruturação financeira irregular e simulação de operações, resultando, após a consolidação com as operações correlatas, em um valor global de R$ 5.775.234.097,25”, diz o MP.
Clínica Mais Médicos
Uma das empresas beneficiadas foi a Clínica Mais Médicos, que emitiu R$ 361 milhões em notas comerciais sem qualquer garantia, apesar de possuir capital social zerado.
A clínica fechou em 2023 com uma dívida 6.500 vezes superior à sua receita bruta anual, além de um débito declarado de R$ 54 mil.
A proprietária da empresa, Valdenice Leão, foi beneficiária do auxílio emergencial em 2020 e 2021. De acordo com as investigações, ela é apontada como “laranja” e outorgou procuração a Fernando Alves Vieira, que possui parentesco com sócios do Banco Master.
A Clínica Mais Médicos também está ligada ao Hospital da Criança São José, que emitiu R$ 372 milhões em notas comerciais igualmente adquiridas pelo banco.
“Outras empresas vinculadas aos sócios, como a Holding AF S.A. e a Simetria Planos de Saúde Eireli, reproduziram o mesmo padrão de emissão de NCs adquiridas pelos fundos do Banco Master”, detalha o MPF.
Toffoli quebra sigilos
Toffoli determinou a quebras de sigilo fiscal e bancário de Daniel Vorcaro e pessoas apontadas como beneficiárias “laranjas”.
“No que se refere especificamente às medidas de quebra de sigilo e de constrição de bens, deve-se ressaltar que a cognição do relator, nessa fase, é necessariamente limitada: examina-se, em síntese, a coerência entre os indícios reunidos nas investigações realizadas e a imprescindibilidade da adoção das medidas requeridas”, afirma Toffoli.
As quebras de sigilo abrangem o período de outubro de 2020 a outubro de 2025.
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