Moraes x Master: no papel, reuniões do BC com banqueiros ocorreram só em agosto
Agenda oficial de Gabriel Galípolo enfraquece nota oficial divulgada pelo ministro sobre encontro conjunto ocorrido em julho
Apesar de a nota oficial do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes (foto) envolvendo o Banco Master citar uma reunião de representantes dos bancos para discutir a aplicação da Lei Magnistky em julho, a agenda oficial de Gabriel Galípolo mostra que – ao menos no papel – o executivo esteve com os banqueiros apenas em agosto.
Como mostramos nesta terça-feira, 23, Moraes se pronunciou sobre as conversas que ele teve em julho com o presidente do Banco Central. A colunista de O Globo Malu Gaspar informou que Moraes teria procurado Galípolo pelo menos quatro vezes para interceder pelo Banco Master ao longo do mês de julho. O jornal O Estado de S. Paulo informou que foram pelo menos cinco conversas – uma delas presencial.
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Moraes se defendeu afirmando que, nas conversas, “foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei”. Moraes, segundo sua nota oficial, se reuniu a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú, os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú.
O problema é que esse encontro não consta na agenda oficial nem de Moraes nem de Galípolo. Mostramos nesta terça-feira, por exemplo, que no último dia de julho, 31, não apareceu nenhuma agenda de Galípolo com os representantes destes bancos.
Registros oficiais x registros fora da agenda de Moraes e Galípolo
Pelo menos nos registros oficiais, as reuniões de Galípolo com os banqueiros ocorreram somente em agosto.
O registro da agenda do presidente do Banco Central revelado agora por O Antagonista é mais um elemento que enfraquece a versão dada pelo ministro do STF de que a conversa dele com Galípolo tratou exclusivamente das sanções aplicadas pela Lei Magnistky.

O primeiro encontro registrado com ao menos um destes personagens citados na nota de Moraes foi realizado em 7 de agosto, quando Galípolo teve uma audiência com Isaac Sidney, presidente da Febraban, por videoconferência, para tratar de “assuntos institucionais”.
Já em 11 de agosto, foi registrado oficialmente o primeiro encontro de Galípolo com Rodrigo Maia, Presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), também para discutir “assuntos institucionais”.
Naquele mesmo dia, Galípolo teve outra reunião com representantes dos bancos Itaú-Unibanco, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, no Banco Central, em São Paulo, também para “tratar de assuntos institucionais”.

Ou seja: a nota de Moraes afirma que houve encontro dos dirigentes com Galípolo em julho; a agenda oficial registrou esses encontros somente em agosto.
A pergunta que fica é: por qual motivo houve registro dos encontros com os banqueiros em agosto e não em julho?
Durante o mês de agosto também não há registros oficiais na agenda de Galípolo de qualquer encontro com Alexandre de Moraes. Em setembro, Galípolo teve um encontro, dentro da sua agenda, com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, justamente para discutir a venda da sua instituição bancária para o BRB. A venda foi barrada pelo Banco Central.
A esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, detinha um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master.
As informações sobre uma possível intervenção suprema de Moraes fizeram com que senadores de oposição protocolassem um novo pedido de impeachment mirando o ministro do Supremo Tribunal Federal.
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