Moraes se torna ‘persona non grata’ em BH
Moção de protesto foi aprovada na véspera da retomada do julgamento de Jair Bolsonaro
A Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte aprovou na segunda-feira, 8, uma moção para declarar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “persona non grata” na capital mineira.
A moção, de autoria do vereador Pablo Almeida, do PL, foi aprovada pela maioria dos vereadores presentes na véspera da retomada do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro na Primeira Turma do STF.
Apenas sete parlamentares votaram contra a medida.
Persona non grata
Segundo o texto, o magistrado seria declarado “persona non grata à cidade de Belo Horizonte, em razão das sanções impostas com fundamento na Lei Magnitsky, uma das mais severas punições previstas pelo ordenamento jurídico norte-americano”.
“Soma-se a isso o fato inaceitável praticado na noite de quarta-feira, 30 de julho de 2025, durante uma partida de futebol na Neo Química Arena, em São Paulo, ocasião em que realizou gesto obsceno, dirigido ao público presente, em claro ato de provocação e deboche diante das vaias da torcida”, acrescentou.
“Ademais, o comportamento adotado pelo Excelentíssimo Sr. Ministro revela-se absolutamente incompatível com os princípios constitucionais da impessoalidade, moralidade e decoro, que regem a Administração Pública (art. 37 da Constituição Federal), além de violentar o dever de urbanidade e respeito ao cidadão, princípios fundamentais à conduta de qualquer agente público, máxime daquele incumbido de zelar pela guarda da Constituição Federal”, continuou.
No plenário, Pablo Almeida chamou Moraes de “ditador”.
Ele também disse que o ministro do STF estaria buscando uma “revanche” em relação aos atos de 8 de janeiro.
O julgamento de Bolsonaro
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira, 9, o julgamento da ação penal que apura a atuação do “núcleo 1” na tentativa de golpe de Estado.
O julgamento será retomado com o voto do ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do caso. Conforme apurou este portal, a tendência é que Moraes adote um tom duro, com referências, inclusive, ao 7 de Setembro e às investidas de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, nos Estados Unidos para coagir a Suprema Corte.
A manifestação de Moraes tende a ser longa. Na semana passada, o ministro pediu que o presidente da turma, Cristiano Zanin, convocasse mais duas sessões para julgar o ex-presidente. A expectativa é que o voto de Moraes seja proferido ao longo da manhã desta terça-feira. Moraes é apontado como o ministro que advogará pelas penas mais duras contra Jair Bolsonaro.
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