Ministro do TCU se declara suspeito e caso da sala VIP do TST muda de relator
Tribunal Superior do Trabalho gastará mais de 1,5 milhão de reais para finalizar e manter espaço exclusivo
O Tribunal de Contas da União (TCU) sorteou um novo relator para a investigação sobre contratos do Tribunal Superior do Trabalho (TST) destinados à aquisição de uma sala VIP no Aeroporto de Brasília exclusiva para ministros da Corte trabalhista.
O caso ficará com o ministro Benjamin Zymler, após o ministro Walton Alencar se declarar suspeito por ser irmão de Douglas Alencar, beneficiado diretamente pelo espaço.
Segundo a Folha de S.Paulo, a Corte, responsável por julgar recursos sobre questões trabalhistas e uniformizar a jurisprudência, gastará mais de 1,5 milhão de reais em dois anos para finalizar e manter o espaço.
Ao justificar a obra, o tribunal afirmou que “a forma como eram realizados os embarques e desembarques aéreos das autoridades propiciava a aproximação de indivíduos mal-intencionados ou inconvenientes, o que aumentava significativamente os riscos evitáveis para essas autoridades”.
Investigação
A abertura da apuração foi feita após o Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) encaminhar representação ao tribunal. O documento pede análise da legalidade, legitimidade, economicidade e aderência ao interesse público dos gastos.
O investimento total estimado do projeto ultrapassa R$ 1,5 milhão em dois anos, sem incluir mobiliário, alimentação e salários dos funcionários que atuarão na sala. O tribunal disse que utilizará prioritoriamente mobiliário e pessoal de contratos já existentes.
Além da sala de 44 m², o acordo inclui cinco cartões de estacionamento e serviços adicionais do terminal, custeados por outro contrato de R$ 170 mil anuais.
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O exemplo de STF e STJ
O TST afirmou que “o projeto segue os mesmos moldes do STF e STJ”.
Ambas as Cortes alegam manter salas exclusivas para os ministros no aeroporto de Brasília para garantir a segurança de seus integrantes.
“Tal preocupação se dá em razão da logística atual do terminal aeroportuário de Brasília, que possibilita risco à segurança dos ministros, principalmente por possível abordagem de terceiros, sendo conveniente sua minimização”, disse o TST.
O STF adotou uma sala VIP do aeroporto de Brasília em 2017, alegando que seus ministros se tornaram figuras públicas por causa dos julgamentos da Operação Lava Jato.
Como o espaço deles fica longe dos demais passageiros, eles podem acessar os aviões sem passar pelo portão de embarque.
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Comentários (1)
Eduardo Saviniano Brum Infantini
16.08.2025 10:17Vergonha.Falta de respeito com as dificuladades enfrentadas pela maioria da população carente do Brasil.Um país com saneamento básico e educação muito deficientes,cosome seus recursos em regalias a funcionários, que se acham inatingiveis,em detrimento de obras de infraestrutura em beneficio da maioria do povo.