Ministério das Comunicações analisará pedido de Erika Hilton sobre Programa do Ratinho
Deputada quer a suspensão do programa por 30 dias após fala considerada transfóbica
O Ministério das Comunicações, em nota enviada à imprensa, informou nesta quinta, 12, que analisará um pedido da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) para suspender por 30 dias o Programa do Ratinho, do SBT, após comentários considerados transfóbicos feitos pelo apresentador.
Ao comentar sobre a escolha por Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher na Câmara, Ratinho disse que, para ser mulher, “tem que ter útero”.
Em nota, o ministério informou que a representação já foi recebida e será analisada pela área técnica responsável.
“O Ministério das Comunicações informa que recebeu a representação administrativa encaminhada pela deputada federal Erika Hilton. A manifestação será analisada pela equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad), que fará a avaliação dos pontos apresentados, seguindo os trâmites administrativos e legais cabíveis. O Ministério das Comunicações reafirma seu compromisso com a transparência, o diálogo institucional e o cumprimento rigoroso da legislação vigente”, diz o comunicado.
Erika Hilton
A parlamentar também protocolou um pedido de investigação sobre o apresentador, no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Neste documento, ela solicita a prisão de Ratinho, que é pai do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD).
A deputada alega que as falas do apresentador se baseiam na “repetição de afirmações destinadas a negar a condição feminina da parlamentar e a sustentar que mulheres trans não poderiam ser consideradas mulheres” para participar de espaços institucionais voltados à defesa dos direitos das mulheres.
“As declarações proferidas pelo apresentador não se limitaram a uma crítica política ou a um debate institucional acerca da atuação da parlamentar, mas consistiram na negação explícita de sua identidade de gênero e na afirmação reiterada de que ela não seria uma mulher. Esse elemento constitui o núcleo da conduta aqui narrada e evidencia o caráter discriminatório do discurso proferido”, acrescentou.
A íntegra da fala de Ratinho
Questionado sobre a escolha da comissão, Ratinho disse que, para ser mulher, “tem que ter útero”.
“Não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? A Erika Hilton. Ela não é mulher, ela é trans.
Não tenho nada contra trans, nada. Mas se tem outras mulheres… a mulher mesmo. Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito todo mundo que.., né? É a comissão lá da defesa dos direitos da mulher. Eu respeito todo mundo que tem comportamento diferente. Tá tudo certo para mim. Tá tudo certo.
Agora, mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias, tem que menstruar, tem que ter útero.
A dor do parto… Vocês pensam que a dor do parto é fácil? Tem que fazer o negócio de papanicolau.
Com tanta mulher lá, vai dar… eu não sei, eu sou contra. Eu acho que devia deixar uma mulher ser ser presidente da comissão das mulheres”, disse o apresentador sob aplausos de uma plateia formada por mulheres.
“Quero dizer que eu não tenho nada contra a deputada Erika, eu não tenho nada contra ela, nada. Não me fez nada. Ela só fala bem, né? Ela fala bem. Ela é boa de prosa, né? Ela é boa de prosa, né? Agora não tenho nada contra ela, mas eu acho que devia ser uma mulher”, continuou.
Problemas e desafios
Ratinho questionou se Erika Hilton entende dos problemas e desafios “de uma pessoa que nasceu mulher”.
“Então, para quem não sabe, a deputada Erika Hilton, ela é trans. Mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Por que não é fácil ser mulher.
E se fosse o contrário? Imagina se uma mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino. Estaria certo também? Não estaria.
Gente, a gente tem que o Brasil… É, tá certo. Vamos se modernizar (sic), vamos ter inclusão. Mas não precisa exagerar, não precisa exagerar. Estão exagerando”.
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Comentários (2)
Marian
12.03.2026 20:00Eu acredito apenas no conceito biológico, respeito a identidade de gênero e ninguém me obrigará a pensar diferente. Cada um sabe de si. Por isso achava a Rogéria maravilhosa, nunca soube que tenha sido agressiva com as pessoas.
Márcio Roberto Jorcovix
12.03.2026 19:03As pessoas não podem mais emitir opinião contrária à forma de pensar da família LGBTQWZXC que é combardiado por esta turma. Até o Ratinho vai dançar Eu também acho que mulher tem que ter Útero e aí estou lascado