Megaoperação mira líderes cearenses do Comando Vermelho no Rio
Segundo o Ministério Público, o grupo é responsável por mais de mil assassinatos ocorridos no Ceará nos últimos dois anos
Uma megaoperação conjunta das forças de segurança do Rio de Janeiro e do Ceará foi deflagrada na manhã deste sábado, 31, para capturar líderes de uma facção cearense ligada ao Comando Vermelho (CV), que comandava ações criminosas à distância a partir da Rocinha, na zona sul do Rio. Segundo o Ministério Público, o grupo é responsável por mais de mil assassinatos ocorridos no Ceará nos últimos dois anos.
A ofensiva envolveu cerca de 80 agentes das tropas especiais do Rio — como BOPE e Batalhão de Choque — além de policiais cearenses, com apoio dos Ministérios Públicos dos dois estados.
A operação buscava cumprir 29 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão expedidos pela Justiça do Ceará, com base em investigações do Gaeco/MPCE.
Os alvos se escondiam em áreas de difícil acesso da Rocinha, como a localidade conhecida como Dioneia.
Refúgio de luxo
Segundo os investigadores, a quadrilha operava a partir de uma mansão de luxo, equipada com piscina aquecida, academia, área gourmet e deck panorâmico.

A casa, segundo o MP, foi blindada por traficantes locais em troca de pagamento e funcionava como centro de comando para o tráfico de drogas, execuções e ataques coordenados no Ceará — como os registrados contra provedores de internet desde fevereiro.
Durante a ação, um policial militar foi baleado no pescoço e levado ao Hospital Miguel Couto, na Gávea. Ele passou por cirurgia e não corre risco de vida. Houve intensa troca de tiros durante a madrugada, e moradores relataram a fuga de cerca de 400 criminosos para a mata com a chegada da polícia.
Alvos da operação
Entre os alvos da operação está Anastácio Paiva Pereira, conhecido como Doze ou Paizão, apontado como chefe do tráfico em Santa Quitéria (CE).
Há cinco mandados de prisão em aberto contra ele por homicídio, tráfico e organização criminosa.
Até a noite de sábado, apenas um dos mandados de prisão havia sido cumprido. Um homem foi preso, e foram apreendidos quatro fuzis, duas pistolas, um revólver, um fuzil de airsoft, munição, celulares, rádios transmissores e 204 kg de drogas.
Estadia e proteção
Segundo o Ministério Público, o grupo criminoso pagava por estadia e proteção a traficantes cariocas.
As moradias eram alugadas pelo CV do Rio e serviam de abrigo para os foragidos do Ceará, em esquema descrito como um “pacote de viagens”.
“Os assassinos do Ceará agem com extrema violência. Os crimes são cometidos com requintes de crueldade e divulgados nas redes sociais”, afirmou o procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira.
As investigações apontam ainda que os criminosos continuavam coordenando remotamente execuções, tráfico e extorsões. Empresas de internet eram obrigadas a pagar taxas para operar em determinadas áreas sob domínio da facção. Em caso de recusa, sofriam ataques.
A operação foi coordenada pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ e pelo Gaeco do Ceará. O governador Cláudio Castro (PL) acompanhou a ação em tempo real do Quartel-General da Polícia Militar, no centro do Rio.
Os resultados consolidados da operação devem ser divulgados nos próximos dias.
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
01.06.2025 09:51“Enxugação” de gelo. Se alguém foi preso, logo será solto. O alvo deve ser o “bolso” desses criminosos, seus esquemas financeiros.