Máfias do combustível lavam bilhões e desafiam o Estado
Como atuam as máfias do combustível e suas máquinas de lavagem de dinheiro
Em artigo publicado na revista online The Conversation, Robert Muggah, pesquisador da Bosch Academy e cofundador do Instituto Igarapés, destrincha como uma vasta rede de postos de gasolina se transformou no centro de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraude fiscal no Brasil.
Em fevereiro deste ano, o Ministro da Justiça Ricardo Lewandowski determinou que a Polícia Federal abrisse um inquérito para investigar a atuação do crime organizado no setor de distribuição de combustíveis.
Segundo investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil do Rio de Janeiro, mais de mil postos gasolina aparentemente comuns funcionavam como centros de lavagem de dinheiro com diesel e etanol, operando sob o controle de organizações criminosas como o PCC, Comando Vermelho e milícias.
Modus operandi
As investigações também revelaram como essas quadrilhas diversificaram seus negócios, indo além do narcotráfico e das armas, e agora dominam também os setores de combustíveis fósseis e biocombustíveis.
O modus operandi inclui adulteração de combustíveis, uso de metanol tóxico, sonegação fiscal via emissão de notas frias, e furto de combustíveis diretamente de dutos da Petrobras.
Segundo reportagem do Fantástico que foi ao ar em julho do ano passado, a Copape, envolvida em evasão de impostos e venda abaixo do mercado, é um dos casos mais emblemáticos.
Com o crime organizado atuando até nas plantações de cana e nos dutos subterrâneos, Petrobras e agências reguladoras intensificaram a fiscalização com drones, sensores e rastreamento digital.
Prejuízos calculados em bilhões
Um levantamento da FGV estima que somente em 2021, os lucros ilegais dos postos chegaram a R$ 23 bilhões.
Segundo reportagem do Fantástico, que foi ao ar em julho do ano passado, a Copape, envolvida em evasão de impostos e venda abaixo do mercado, é um dos casos mais emblemáticos.
Muggah alerta que, sem uma ação coordenada e firme, o Brasil seguirá perdendo bilhões – e sua soberania – para o crime organizado que domina a energia do país.
“O combate à infiltração do crime organizado nos setores de biocombustíveis e combustíveis fósseis do Brasil exige mais do que a aplicação da lei – exige uma estratégia nacional coordenada apoiada pela cooperação do setor. Sem uma ação urgente e sustentada, o crime organizado continuará a desviar o futuro do Brasil, enfraquecendo um de seus setores mais vitais.”
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
25.04.2025 11:48É impressionante como, no Brasil, fato já há muito conhecido por muitos vira notícia nova para alguns.