Lula evoca Lampião e provoca Trump: “Vai que eu brigo e eu ganho?”
Petista fez declaração em tom de brincadeira durante evento em São Paulo; viagem aos EUA está marcada para março
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou uma cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo, nesta segunda-feira, 9, para dizer que o presidente norte-americano, Donald Trump, não deveria “provocar” o Brasil, caso conhecesse seu suposto “parentesco com Lampião”.
A comparação com o cangaceiro nordestino serviu para ilustrar a postura que Lula pretende adotar nas negociações bilaterais. “Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente”, declarou.
Em seguida, Lula minimizou possíveis atritos. “Eu não quero briga com ele, não sou doido, vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer?”, afirmou, arrancando risos da plateia.
Defesa do multilateralismo
O presidente brasileiro destacou que o trabalho do país consiste “na construção da narrativa” sobre a relevância do multilateralismo. “Nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo”, disse.
Segundo ele, esse modelo de governança internacional garantiu “uma harmonia entre os Estados” após a Segunda Guerra Mundial, permitindo que “a gente vivesse em paz até agora, pelo menos numa parte do mundo”.
Lula contrapôs essa visão ao que chamou de “unilateralismo imposto pela teoria de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco”, modelo que, segundo ele, não interessa ao Brasil.
Agenda Brasil-EUA em março
Lula viajará aos Estados Unidos em março. O encontro entre os dois chefes de Estado foi acertado durante conversa telefônica realizada em 26 de janeiro.
Na pauta bilateral estão temas relacionados à segurança pública, com destaque para cooperação no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. O governo brasileiro também propõe o congelamento de ativos de organizações criminosas e o compartilhamento de informações sobre transações financeiras. A Casa Branca sinalizou receptividade às propostas.
Lula planeja aproveitar o momento de instabilidade global para reiterar antiga reivindicação brasileira: a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. A demanda por mudanças nesse órgão acompanha o petista desde seu primeiro mandato, iniciado em 2003.
Conselho da Paz ou de Trump?
Outro ponto em discussão envolve o convite de Trump para que o Brasil integre o chamado Conselho da Paz. O governo brasileiro ainda não formalizou resposta, mas já apresentou condições: que o órgão se limite à crise em Gaza e que a Palestina tenha representação.
Diplomatas brasileiros avaliam que o estatuto do conselho concentra poder excessivo na presidência dos Estados Unidos. Há receio de que a participação brasileira legitime uma estrutura paralela à ONU, fragilizando o sistema multilateral que Brasília defende.
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Comentários (1)
Marian
09.02.2026 19:06Ansiosa para ver a performance do presidente dentro da Casa Branca e diante do anfitrião.