Leonardo Barreto na Crusoé: Bolso e vida: a luta do governo é contra ele mesmo
Eleições de 2026 devem ser sobre economia e segurança pública
No mercado eleitoral, assim como no econômico, há sempre a oferta e a demanda.
Do lado dos produtos, quem controla o que estará disponível para o eleitor é o sistema político.
Já aquilo que os “consumidores” querem é fixado pelo fluxo de problemas públicos e sua priorização.
Concentrando nossa análise na demanda, já é possível ter uma pista do que vem aí. Provavelmente é algo que pode ser resumido em bolso e vida.
A economia é sempre um tema de eleições. O governo aposta no crescimento do emprego e da renda das pessoas.
A oposição focará no aumento de impostos, juros altos, endividamento e inadimplência das famílias.
Trata-se de um debate e tanto. Controlar a inflação e ter emprego pode não ser suficiente mais para reeleger ninguém.
O tema pode estar no custo de vida e acesso aos meios necessários para uma vida confortável.
A economista Solange Srour, do banco UBS, mostrou que os preços no Brasil cresceram 38% desde 2019.
Nesse meio tempo, o governo Lula, que acredita no estímulo ao consumo como grande motor da economia, incentivado as pessoas a se endividarem enquanto, ao mesmo tempo, a taxa de juros foi para as alturas.
Resultado, segundo pesquisa da CNC, 31% das famílias possuem alguma dívida que não conseguem honrar. Como o mercado de crédito cada vez mais restrito, a conta fica mais difícil de fechar.
Na guerra de narrativas, é essencial para Lula a aprovação da isenção do imposto de renda para sustentar a ideia que o governo não aumentou impostos, mas fez justiça tributária, tirando dos ricos para dar aos pobres, mesmo que tenha começado o esforço tributário pelo andar de baixo, com a taxa das blusinhas.
O outro ponto, que conversa com pautas tradicionais da direita, é a segurança pública. Os combates recentes no Rio de Janeiro e o debate sobre alternativas para conter o crime organizado estão na ordem do dia e incomodam demais ao governo.
Segundo a pesquisa Genial/Quaest, a segurança é o principal problema do país para 38% dos brasileiros, item líder em apontamentos.
Há uma polarização sobre o tema que é mais institucional, e coloca a visão da esquerda em rota de coalizão com o que a maioria da sociedade pensa.
Trata-se de uma ameaça ao projeto de reeleição, especialmente pelo seu efeito agregador, tendo conseguido reunir governadores de direita sem que o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro precisasse ser mencionado.
Foi a primeira vez que o debate nacional se configurou fora do padrão Lula vs. Bolsonaro, mas Lula vs. convicções…
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