‘Kid preto’ admite envio de carta para pressionar cúpula do Exército
Em interrogatório ao STF, coronel afirmou ter repassado carta com intenção de pressionar alto escalão a aderir trama golpista
O coronel do Exército Fabrício Moreira de Bastos confirmou nesta segunda-feira, 28, ao Supremo Tribunal Federal (STF), que recebeu ordens de seu superior no Centro de Inteligência do Exército (CIE) para repassar a chamada ‘Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro’.
O militar, que integra as Forças Especiais do Exército, conhecidas como “kids preto”, é réu no núcleo 3 da ação penal sobre tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o documento buscava pressionar o alto escalão do Exército a aderir à trama golpista. A denúncia assinada pelo PGR, Paulo Gonet, inclui conversas anexas em que mostra Bastos compartilhando a carta com outros integrantes das forças especiais.
“O coronel De La Vega sabia que a turma de 1997, da qual eu fiz parte, estava preparando algum tipo de manifesto. Ele pediu que fizéssemos contato com esse documento e encaminhássemos para ele. Eu não fazia parte do grupo, mas o Correa Netto, sim, então eu pedi para ele me encaminhar o documento. Quando isso aconteceu, na segunda pela manhã, eu entreguei uma cópia em mãos para o general”, disse, durante o interrogatório.
Bastos afirmou que a carta deveria ser entendida como “um desabafo” dos oficiais.
“É de uma inocência esses quatro coronéis acharem que eles teriam o condão de pressionar 16 comandantes do Exército. É uma inocência quase franciscana”, disse.
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