Justiça solta sócios de laboratório envolvido em contaminação por HIV
Walter Vieira e Matheus Vieira, além de dois ex-funcionários da unidade de saúde, tiveram o pedido de habeas corpus concedido
A Justiça do Rio determinou nesta terça-feira, 10, a soltura de Walter Vieira e Matheus Vieira, dois sócios do laboratório do PCS Lab Saleme, e de mais dois ex-funcionários investigados pelos casos de infecção por HIV após transplantes de órgãos no estado.
Segundo as investigações, Walter Vieira assinou um dos laudos com falso negativo
O desembargador Marcelo Castro Anatocles acolheu o pedido de habeas corpus da defesa de Walter e Matheus Vieira e os dois vão responder ao processo em liberdade.
A mesma condição será estendida ao técnico de laboratório Ivanilson dos Santos e à auxiliar administrativa Jacqueline de Assis.
Seguem presos o técnico Cléber dos Santos e a coordenadora Adriana Vargas.
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Entenda o caso
Seis pessoas que estavam na fila de transplante da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) testaram positivo para HIV após receberem órgãos infectados de dois doadores.
Segundo o governo do estado, o erro ocorreu em dois exames do laboratório PCS Lab Saleme, contratado em dezembro de 2023, em um processo de licitação via pregão eletrônico no valor de 11 milhões de reais para fazer a sorologia de órgãos doados.
O laboratório é de familiares do deputado Dr. Luizinho (PP), ex-secretário de Saúde do Rio.
Relação familiar de ex-secretário com sócio de laboratório
A relação familiar do ex-secretário de saúde do Rio e deputado federal Dr.Luizinho (PP-RJ) com dois sócios do PCS Lab Saleme, Matheus Sales Teixeira Bandoli Vieira e Walter Vieira, primos e tio por afinidade, respectivamente foi comentada pelo governador do Rio, Cláudio Castro.
Castro disse que o contrato assinado com a PCS foi em 2021, em um pregão com a participação de outras empresas concorrentes.
A menção de Castro se dá como consequência aos contratos milionários assinados entre o governo do Rio de Janeiro pela Fundação Saúde e o laboratório no valor de R$ 11,5 milhões para os serviços de exames essenciais como testes rápidos de HIV e triagem de anticorpos.
Dr. Luizinho ocupou a cadeira de Secretário de Saúde do Rio de Janeiro no período de janeiro a setembro de 2023, enquanto o contrato com o PCS Saleme foi assinado em dezembro do mesmo ano, após a saída do parlamentar.
O processo de contratação, porém, durou mais de três anos, passando pelo período em que Dr. Luizinho comandava a pasta.
O parlamentar negou todas as acusações.
Diretoria pediu demissão
Em outubro, integrantes da diretoria da Fundação Saúde, empresa pública do Rio responsável por assinar contrato com o laboratório PCS Lab Saleme, entregaram os cargos a Cláudio Castro (PL).
O chefe do estado do Rio confirmou a exoneração de todos os integrantes, em decorrência do escândalo dos seis pacientes infectados por HIV após transplantes de órgãos.
Quem abre a lista de dispensas é o diretor executivo da Fundação, João Ricardo da Silva Pilotto, que assinou o contrato com o laboratório em dezembro do ano passado.
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