Josias Teófilo na Crusoé: O resgate da arquitetura clássica
Primeiro concurso brasileiro de incentivo às formas tradicionais ocorreu no ano passado
Donald Trump logo no primeiro dia do seu mandato assinou um decreto que promove arquitetura clássica em prédios públicos.
Diz o decreto: “Projetos devem respeitar o patrimônio arquitetônico regional, tradicional e clássico para uma renovação (de prédios da administração) e dar beleza aos espaços públicos, enobrecer os EUA e seu sistema de governo…”.
Existem iniciativas pelo mundo que promovem a arquitetura clássica, desde universidades a escritórios de arquitetura especializados.
No X (ex-Twitter) Michael Diamant (@michaeldiamant) tem compartilhado quase diariamente restaurações de quarteirões inteiros em cidades da Europa e dos Estados Unidos em que espaças vazios são completados com novos prédios clássicos que se harmonizam com os edifícios históricos preexistentes.
Na verdade, nem dá para ver a diferença de um para outro.
Ele tem mostrado até mesmo prédios modernos reformados e transformados em edifícios clássicos novinhos em folha.
No Brasil, existe um preconceito estabelecido contra edifícios novos feitos com arquitetura antiga. É chamado de falso histórico.
Até o Patteo do Collegio, que existia ali antes de ser transformado na sede do Governo do Estado de São Paulo, é criticado por ser um falso histórico, já que teve que ser reconstruído para ter sua forma atual.
Importantes construções europeias foram reconstruídas, como a Frauerkirche de Dresden, na Alemanha, destruída em 1945 e reconstruída em 2005, ou Teatro La Felice (de 1794), em Veneza, que já foi destruído e reconstruído várias vezes.
Mas existem iniciativas no Brasil que incentivam a adoção da arquitetura clássica. O professor de arquitetura da Universidade de Brasília, Pedro Paulo Pallazzo, tem estudado arquitetura tradicional brasileira. Conversei em 2022 com ele sobre o tema.
Pedro lembrou que há uns vinte anos surgiu um movimento de resgate da arquitetura clássica de caráter comercial que não foi bem-sucedido por causa da baixa qualidade das obras.
Mas, recentemente, tem surgido um movimento diferente, motivado por razões ideológicas, voltada para o público católico e conservador.
Ele acrescentou: “por outro lado existe o desenvolvimento de uma massa crítica de artesãos (sobretudo gesseiros-estucadores, serralheiros e marceneiros) que se orgulha de um trabalho de alta qualidade técnica e estética. Então, vinte anos atrás a arquitetura clássica aparecia sobretudo em espigões residenciais e comerciais e algumas agências bancárias, mas hoje é a arquitetura religiosa que tomou a dianteira da arquitetura clássica. Por isso, vejo um potencial mais duradouro e com obras de maior qualidade no atual movimento”.
Pedro criou a página Arquitrad, em que compartilha vídeos, trabalhos acadêmicos e notícias sobre arquitetura tradicional brasileira.
Lá, ele informou um fato relevante: o primeiro concurso de incentivo à arquitetura tradicional, realizado em dezembro do ano passado.
Segundo Pedro, o concurso é algo que não acontecia no Brasil há mais de setenta anos. O Instituto Brasileiro de Arquitetura Tradicional promoveu o concurso e tem compartilhado no Instagram as propostas enviadas.
A associação fez uma revista e abriu a possibilidade de se associar.
Tenho a impressão que existe um terreno fértil para esse tipo de iniciativa no Brasil. Existe um esgotamento das formas contemporâneas de arquitetura, um certo cansaço com o que se tornaram as cidades brasileiras.
A arquitetura tradicional ou clássica é…
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