João Campos enfim se manifesta sobre fila furada em concurso
Prefeito do Recife apontou "oportunismo eleitoral" nos questionamentos da oposição, que pediu impeachment e abertura de CPI
Prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos (foto) enfim se manifestou sobre o caso em que um candidato a vaga de procurador judicial que ficou em 63º lugar em concurso acabou ficando com a vaga do primeiro colocado na categoria de pessoas com deficiência (PcD).
Após a repercussão do caso, a Prefeitura reverteu a decisão que tinha empossado o filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas de Pernambuco.
Campos foi questionado, durante a inauguração de um parque, pela imprensa local se a “repercussão nacional de algumas ações e proposições da oposição” tem lhe incomodado.
As ações e proposições da oposição são um pedido de impeachment e um pedido de abertura de CPI para investigar o caso.
O prefeito disse que não está incomodado e acrescentou:
“Vocês sabem que a causa de pessoa com deficiência é uma causa de vida que eu tenho. Eu tenho um irmão com Síndrome de Down, que amo muito e sei bem como é importante a gente ter o cuidado relativo a isso. Todo esse debate se deu entre duas pessoas com deficiência. Uma decisão administrativa reconhecendo o direito de uma pessoa que tem autismo e uma pessoa que tem deficiência física, que se sentiu prejudicada, entrou com um pedido de reconsideração, que, de forma imediata, foi analisado e deferido pela Procuradoria, e agora isso vai ser discutido na justiça, quem tem direito.”
“Oportunismo eleitoral”
Campos apontou “oportunismo eleitoral” nos questionamentos da oposição.
“Chega ano eleitoral, chega ano de eleição, nossos nomes aparecem de forma importante nas pesquisas e algumas pessoas acham que vale o jogo do vale-tudo. Não é assim. Então, vou tratar tudo com seriedade, com respeito e fazendo as coisas como devem ser feitas. O povo do Recife me conhece, sabe que eu trato todo mundo com respeito e trato as coisas de forma séria, assim como trato esse assunto”, disse o prefeito.
Questionado se esperava que o assunto tomasse essa dimensão, Campos disse que “há um oportunismo político e eleitoral claro nisso” e que em “hora nenhuma nesse debate se falou que era uma disputa administrativa entre dois candidatos com deficiência”.
“Dois candidatos. Um que tem autismo, com laudo do Tribunal Regional do Trabalho. da Justiça Federal do Trabalho, dizendo que a pessoa tem autismo, e um outro tem deficiência física. A gente nomeou mais de 11.700 pessoas através de concurso na cidade do Recife, mais de 1.030 pessoas com deficiência, mais de 900 pessoas que utilizam cotas raciais. São mais de 11.700 nomeações. Nenhum prefeito na história nomeou mais gente do que eu nomeei. Você tem diversos roteiros do dia a dia de decisão judicial, decisão administrativa, de revogação de concurso, de republicação. Isso é uma rotina. Agora, foi uma disputa administrativa entre dois candidatos com deficiência, que se politizou esse tema. Então, que essa discussão seja feita na justiça e com respeito”, comentou, acrescentando.
“Agora, eu não admito que utilizem a causa de pessoa com deficiência para querer atacar uma gestão que tem respeito com as pessoas com deficiência, que aumentou em mais de cinco vezes todo o atendimento na saúde para essas pessoas e que, particularmente, eu tenho um irmão com deficiência e sei como isso é importante. Então, eu não admito que façam uso político indevido de uma causa tão importante. E a minha gestão respeita as pessoas e toma decisões com correção”, finalizou o prefeito, dizendo ainda que tem “absoluta confiança na Câmara de Vereadores, que não vai se deixar levar por nenhuma irresponsabilidade eleitoral”.
O problema de verdade
Mas o problema de verdade não era a disputa entres dois candidatos com deficiência, mas o fato de que um dos candidatos pleiteou e conseguiu o reconhecimento de sua deficiência três anos após fazer o concurso, e contra instrução técnica da Procuradoria Geral do Município (PGM).
Pior: além de ser filho de uma procuradora, o candidato beneficiado é filho também de um juiz que anulou em novembro de 2025, ou seja, um mês antes da mudança na ordem dos candidatos, a Operação Barriga de Aluguel, que investigava desvios de recurso na Prefeitura do Recife.
Leia mais: Uma deficiência de João Campos
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