João Campos e Raquel Lyra trocam acusações em Pernambuco
Monitoramento de secretário pela Polícia Civil sem autorização da justiça motiva acusações de perseguição política
A Polícia Civil de Pernambuco realizou o monitoramento de Gustavo Queiroz Monteiro, secretário de Articulação Política e Social do Recife, entre agosto e outubro de 2025. A operação incluiu o uso de rastreador no veículo utilizado pelo servidor e por seu irmão, Eduardo, sem que houvesse uma ordem judicial para o procedimento. O caso é mais um ponto de entre o prefeito João Campos e a governadora Raquel Lyra.
O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, confirmou a vigilância e informou que a medida teve origem em uma denúncia sem identificação do autor. O relato indicava o suposto repasse de valores ilícitos em contratos da administração municipal com fornecedores. Segundo a pasta, a instalação do equipamento de localização não exigiria autorização prévia do Poder Judiciário.
A investigação foi encerrada e arquivada após a polícia não constatar a entrega de pacotes ou quantias em dinheiro, conforme descrito na suspeita inicial. O governo estadual sustenta que a verificação preliminar cumpriu os protocolos previstos para apurações dessa natureza. João Campos, por sua vez, contesta a legalidade da ação e aponta finalidade política no uso da estrutura policial.
Reações institucionais e acusações de perseguição
O prefeito do Recife disse que a situação não ficará sem resposta jurídica: “Eu queria dizer a vocês que tudo isso não vai ficar impune. Não vai. Porque não vale tudo pra disputar uma eleição. Não vale tudo dentro de uma instituição tão séria como a Polícia Civil com mais de 200 anos. Eu quero dizer a vocês que eu vou tomar todas as medidas cabíveis na Justiça brasileira”.
Campos declarou ser alvo de uma estrutura de oposição motivada por interesses eleitorais desde o ano de 2024. Ele citou o exemplo de uma apuração sobre creches municipais que foi reaberta durante o período de votação e arquivada novamente após o resultado das urnas. Para o prefeito, as instituições estaduais estão sendo utilizadas de forma indevida contra sua administração.
A governadora Raquel Lyra não respondeu de forma direta às alegações de monitoramento irregular. Em suas manifestações públicas, optou por listar entregas de sua gestão: “Aqui a caneta não faz barulho. Faz entrega. Resolve. A gente usa do jeito certo: pra governar Pernambuco e cuidar de todos os pernambucanos, sem deixar ninguém pra trás”.
Histórico de desgastes em ambas as gestões
João Campos enfrentou, em janeiro, um pedido de impeachment na Câmara Municipal. A acusação envolvia uma suposta interferência no resultado de um concurso público destinado ao cargo de procurador do município.
Além disso, o PSB, legenda presidida pelo prefeito, mantém em seus quadros um ex-secretário estadual denunciado pelo Ministério Público Federal. Ele é investigado por corrupção passiva e foi alvo de ações da Polícia Federal. Essas ocorrências têm sido utilizadas por opositores para questionar a integridade da gestão na capital.
Raquel Lyra também lidou com crises institucionais relacionadas à empresa de transportes de sua família, a Logo Caruaruense. A companhia operou por três anos sem a fiscalização da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), órgão vinculado ao estado. O caso motivou um pedido de impedimento contra a governadora devido à ausência de controle sobre a viação.
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