Irã cobra reação da ONU e pressiona Brasil
Em nota divulgada pela embaixada em Brasília, Teerã acusa EUA e exige resposta internacional
O perfil oficial da embaixada do Irã no Brasil publicou na manhã desta sexta-feira, 13, uma nota do Ministério das Relações Exteriores iraniano em resposta ao ataque militar realizado por Israel contra alvos em território iraniano.
O comunicado, assinado por Abdollah Nekounam Ghadirli (foto), repercute os bombardeios que atingiram instalações militares em Teerã e outras cidades, e responsabiliza diretamente o governo israelense e, indiretamente, os Estados Unidos.
Segundo o texto, civis e integrantes das forças armadas morreram nos ataques, descritos como violação da soberania nacional e dos princípios da Carta das Nações Unidas.
“Na manhã de hoje, o regime sionista ocupante e fora da lei violou a integridade territorial e a soberania nacional de nosso querido Irã, atacando diversos locais, incluindo áreas residenciais em Teerã e em outras cidades do país”, diz o comunicado.
O governo iraniano invoca o Artigo 51 da Carta da ONU para justificar eventual resposta militar e exige ação imediata do Conselho de Segurança e do secretário-geral das Nações Unidas.
“Os ataques do regime sionista contra o Irã constituem uma violação do Artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas e um ato flagrante de agressão contra a República Islâmica do Irã. Em conformidade com o Artigo 51 da mesma Carta, o Irã reserva-se o direito legítimo e legal de responder a essa agressão”, afirma o texto.
O documento apela ainda para países islâmicos, membros do Movimento dos Não-Alinhados e outras nações a condenarem a ação de Israel e tomarem medidas contra o que define como “ação aventureira irresponsável”.
“Esperamos que todos os Estados-membros das Nações Unidas, em especial os países regionais e islâmicos, os membros do Movimento dos Não-Alinhados e todos os governos que prezam pela paz e segurança internacionais, condenem prontamente esta agressão criminosa”, prossegue a nota.
Os Estados Unidos são responsabilizados como patrocinadores da ofensiva:
“Os atos de agressão do regime sionista contra o Irã não poderiam ter sido realizados sem a coordenação e aprovação dos Estados Unidos. Consequentemente, o governo dos EUA, como principal patrocinador desse regime, também será responsabilizado pelas perigosas repercussões das ações imprudentes do regime sionista”.
- Íntegra da declaração do governo iraniano publicada pela embaixada no Brasil:
Em Nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso
Nobre povo do Irã,
Compatriotas,
Nossa pátria amada, o Irã, foi injustamente atacada por um regime criminoso e maligno.
Na manhã de hoje, o regime sionista ocupante e fora da lei violou a integridade territorial e a soberania nacional de nosso querido Irã, atacando diversos locais, incluindo áreas residenciais em Teerã e em outras cidades do país. Como resultado, vários dos mais nobres e patrióticos servidores da nação – aqueles que defenderam a dignidade, a soberania e os avanços científicos e tecnológicos do Irã – juntamente com outros civis inocentes, foram martirizados.
O Ministério das Relações Exteriores expressa suas congratulações e condolências ao Líder Reverenciado e ao nobre povo iraniano pelo martírio desses defensores e servidores da pátria, que sacrificaram suas vidas por nossa nação diante do crime imperdoável cometido pelo regime sionista.
Os ataques do regime sionista contra o Irã constituem uma violação do Artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas e um ato flagrante de agressão contra a República Islâmica do Irã. Em conformidade com o Artigo 51 da mesma Carta, o Irã reserva-se o direito legítimo e legal de responder a essa agressão. As Forças Armadas da República Islâmica do Irã não hesitarão em defender a soberania do país com total força e da maneira que julgarem apropriada.
Como membro fundador das Nações Unidas – uma organização cujo propósito fundamental é impedir agressões, quebras de paz e ameaças à paz – a República Islâmica do Irã ressalta a obrigação do Conselho de Segurança de tomar medidas imediatas contra esta violação da paz e segurança internacionais, resultante da agressão flagrante do regime sionista. Apelamos ao Presidente e aos membros do Conselho para que ajam sem demora a esse respeito.
O Ministério das Relações Exteriores lembra ainda ao Secretário-Geral das Nações Unidas de seus deveres previstos na Carta da ONU e exige sua intervenção imediata nesta questão.
Esperamos que todos os Estados-membros das Nações Unidas, em especial os países regionais e islâmicos, os membros do Movimento dos Não-Alinhados e todos os governos que prezam pela paz e segurança internacionais, condenem prontamente esta agressão criminosa e adotem medidas urgentes e coletivas para conter esse aventureirismo irresponsável, que indiscutivelmente colocou a paz e a segurança globais sob ameaça sem precedentes.
As graves e amplas consequências da agressão do regime sionista contra nossa pátria amada, o Irã, recairão inteiramente sobre esse regime e seus apoiadores.
Os atos de agressão do regime sionista contra o Irã não poderiam ter sido realizados sem a coordenação e aprovação dos Estados Unidos. Consequentemente, o governo dos EUA, como principal patrocinador desse regime, também será responsabilizado pelas perigosas repercussões das ações imprudentes do regime sionista.
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Comentários (1)
Marcia Elizabeth Brunetti
13.06.2025 08:23Esse apelo não me comoveu nem um pouco. Morreram civis? É uma guerra, não poderia ser diferente. Mas, para quem mata uma mulher que não usa seu véu conforme lhe é ordenado. Países islamicos não são justos com seu povo.