“Inadmissíveis”, diz Zema sobre vazamentos da Vale em MG
Tribunal atende pedido do governo estadual e MP; mineradora foi multada em R$ 3,3 milhões pelos incidentes ocorridos no dia 25 de janeiro
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou a paralisação das atividades da Vale em Ouro Preto até que a mineradora apresente comprovação técnica da segurança de todas as estruturas no local. A decisão judicial atendeu solicitação conjunta do governo estadual e do Ministério Público.
A medida foi tomada após dois extravasamentos registrados em 25 de janeiro, data que marcou sete anos do rompimento da barragem em Brumadinho. Um dos incidentes ocorreu na mina de Fábrica, em Ouro Preto, liberando 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos em córregos afluentes dos rios Maranhão e Paraopeba.
O segundo episódio aconteceu na mina de Viga, em Congonhas, onde 22 sumps – estruturas destinadas à contenção de água – receberam volume elevado de sedimentos e transbordaram.
Governador reage
O governador Romeu Zema (Novo) afirmou em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira que os extravasamentos são inaceitáveis: “Nós teremos que ter responsabilidade, aquilo que tem risco não pode operar. Depois de Mariana e Brumadinho, é inadmissível acontecer fatos semelhantes, mesmo que seja um mero vazamento de água”, declarou durante evento na capital mineira.
O governo estadual aplicou multa de R$ 3,3 milhões pelos dois episódios. O valor inicial, de R$ 1,7 milhão, foi ampliado devido à reincidência da empresa em infrações ambientais, já que houve ocorrência semelhante em 2023.
O Ministério Público Federal pediu o bloqueio de R$ 1 bilhão em contas bancárias da Vale. A ação do MPF teve como base o extravasamento na mina de Fábrica, considerado o mais grave dos dois incidentes.
Posicionamento da mineradora
A Vale informou que não se manifestaria sobre as declarações do governador. Em nota, a empresa confirmou que as operações no local foram interrompidas desde 26 de janeiro, um dia após os extravasamentos.
A mineradora sustenta que os episódios não possuem relação com as barragens da região. Segundo a companhia, essas estruturas são monitoradas continuamente e mantêm condições normais de estabilidade e segurança.
Os dois incidentes reacendem o debate sobre fiscalização e controle ambiental no setor de mineração em Minas Gerais. O estado foi palco das duas maiores tragédias envolvendo barragens no país: Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019.
A coincidência temporal entre os novos extravasamentos e o aniversário do desastre de Brumadinho amplifica a pressão sobre a Vale e as autoridades responsáveis pela supervisão das atividades mineradoras na região.
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