Haddad provoca Tarcísio: “Por que resolveu cobrar ICMS da Shopee?”
Ministro da Fazenda recorreu ao nome do governador de São Paulo para rebater críticas pela elevação de tarifas sobre produtos estrangeiros
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, usou uma entrevista ao programa Flow News, nesta sexta-feira, 27, para dividir com os governadores estaduais o ônus político das tributações sobre produtos importados de plataformas asiáticas.
Ao citar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ministro buscou desviar do governo federal as críticas acumuladas desde o início de fevereiro, quando a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou o aumento do Imposto de Importação sobre 1.252 produtos.
“Vou fazer uma provocaçãozinha aqui. Por que o Tarcísio resolveu cobrar ICMS da Shopee? Todo mundo fala da taxa, esquecendo que boa parte dela é estadual”, afirmou Haddad durante a entrevista.
Vamos dividir a conta?
O ministro argumentou que todos os governadores, e não apenas o governo federal, optaram por tributar compras realizadas em plataformas internacionais. Segundo ele, a medida tem justificativa técnica: proteger o comércio local, que já recolhe ICMS, da concorrência de vendedores estrangeiros que operam sem essa carga tributária.
Em seguida, Haddad voltou ao tema ao responder outra pergunta. “O cara me chama de Taxadd, por causa das blusinhas, e ele vai ignorar o que eu acabei de explicar. Ele podia mandar um Pix pra cá, dizendo ‘é mentira que o Tarcísio esteja cobrando ICMS sobre a Shopee’, mas ele não vai fazer isso”, completou o ministro, em referência ao apelido que lhe foi atribuído por críticos das medidas tributárias.
Governo recua
A declaração ocorreu no mesmo dia em que o governo federal anunciou um recuo parcial nas tarifas de importação sobre eletrônicos. Em reunião extraordinária do Gecex, comitê executivo da Camex, foram revogados os aumentos aplicados no início de fevereiro para smartphones, notebooks e outros dispositivos eletrônicos, que retornaram à alíquota de 16%.
Haddad atribuiu a revisão a um processo de calibragem diante de pressões do setor produtivo. “Identificamos importações em questões delicadas em produção nacional que estava sofrendo. Esses setores provocaram o ministério: ‘Nossa fábrica vai fechar’. Fizemos um processo de calibragem e fizemos as exceções. As normas entram em vigor no dia 2”, disse o ministro.
Na quarta-feira, Haddad havia defendido publicamente a elevação do Imposto de Importação, aprovada no início do mês para 1.252 produtos – entre eles celulares, televisores, computadores e equipamentos para data centers. A justificativa apresentada pelo governo era a proteção da indústria nacional.
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