Gaspar, o coringa de Flávio no caso Lulinha
Vice de Flávio Bolsonaro foi relator da CPMI do INSS e colocou o filho de Lula entre os alvos do relatório rejeitado pela comissão
Alfredo Gaspar (PL-AL) compõe a chapa de Flávio Bolsonaro com um trunfo que pode ser especialmente útil na disputa contra Lula: meses de investigação sobre o escândalo do INSS e um relatório que colocou Lulinha no centro da ofensiva da oposição. O parecer do deputado foi derrotado na CPMI, mas as informações reunidas pela comissão continuam produzindo desdobramentos — justamente às vésperas da eleição.
O relatório apresentado por Gaspar pediu o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O documento atribuiu ao empresário suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A CPMI rejeitou o parecer por 19 votos a 12.
A derrota, no entanto, não encerrou o assunto. Nas últimas semanas, novas informações da Polícia Federal reforçaram a linha de investigação que Gaspar explorou durante a comissão.
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A quebra de sigilo
Em fevereiro, a CPMI aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha e de Roberta Luchsinger, amiga do empresário. A medida, porém, foi posteriormente derrubada pelo ministro Flávio Dino, que considerou irregular a votação em bloco dos requerimentos.
Gaspar havia defendido a medida com base em mensagens e relatos que apontavam para possíveis pagamentos de 300 mil reais a Lulinha por meio de Roberta. O relator também questionou movimentações financeiras atribuídas ao filho do presidente.
No relatório final, Gaspar afirmou haver elementos para pedir o indiciamento de Lulinha e chegou a defender sua prisão preventiva. A defesa do empresário nega irregularidades e contesta as acusações.
As novas mensagens
O caso ganhou novos contornos nos últimos dias. Mensagens obtidas pela PF mostram Roberta tratando de negócios com Lulinha e de contatos com integrantes do governo. Em uma das conversas, os dois falam sobre um futuro na Suíça. Em outra frente da investigação, Roberta aparece encaminhando a Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, uma minuta para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde sem licitação. Marcola confirmou ter recebido o documento, mas negou favorecimento.
A PF também passou a apontar que Roberta aparentemente tinha autorização para agir em nome de Lulinha em negociações com órgãos públicos. A conclusão consta de um dos novos inquéritos que investigam suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho de Lula.
Outro elemento revelado nesta semana foi a suspeita de que Roberta comprou joias para Marcola. Segundo a investigação, diálogos indicam que ela ajudou o ex-assessor a escolher peças de diamante. A defesa afirma que os gastos estavam relacionados a um empréstimo de 249 mil reais, posteriormente quitado.
Também vieram a público registros que mostram 18 visitas de Lulinha ao Palácio do Planalto desde 2023, com permanências que, somadas, chegam a 23 horas e 26 minutos. O governo afirma que os encontros foram privados e não envolveram assuntos da administração pública.
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O discurso que chega à campanha
Gaspar já vinha elevando o tom contra os envolvidos. Em maio, em entrevista a O Antagonista, afirmou que Roberta “deveria estar presa” e disse ter defendido o indiciamento e a prisão de Lulinha com base nos elementos reunidos pela CPMI.
“Eu tive a oportunidade de me aprofundar, pedir a prisão e o indiciamento dele. Não foi por vontade unilateral, não, foi pelos indícios para isso”, afirmou.
Agora, o deputado leva esse discurso para a campanha presidencial. Flávio já incorporou o caso do INSS e as investigações sobre Lulinha à sua estratégia de ataque a Lula. O coordenador da campanha, Rogério Marinho, também afirmou que as novas revelações devem fazer parte da disputa eleitoral.
A escolha de Gaspar, portanto, tem uma utilidade que vai além da composição regional da chapa. O deputado chega ao posto de vice com conhecimento direto de uma investigação que a campanha de Flávio pretende transformar em munição contra Lula.
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