Frente “antiwoke” avança na Câmara de SP
Proposta recebe aval na CCJ e segue para o plenário em meio a críticas da esquerda
A criação de uma Frente Parlamentar “antiwoke” na Câmara Municipal de São Paulo avançou mais uma etapa e já expõe o embate ideológico entre vereadores da capital paulista. A proposta recebeu aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora segue para análise no plenário da Casa.
O projeto é encabeçado pelo vereador Lucas Pavanato (PL) e conta com o apoio de parlamentares como Sonaira Fernandes (PL), Rubinho Nunes (União) e Adrilles Jorge (União). A iniciativa busca estruturar um grupo formal dentro do Legislativo para discutir e propor ações relacionadas ao que os autores classificam como enfrentamento a pautas associadas ao movimento “woke”. O termo surgiu nos Estados Unidos como uma expressão ligada à atenção a desigualdades sociais, especialmente questões raciais. Nos últimos anos passou a ser usado no debate político de forma mais ampla para se referir a agendas progressistas envolvendo temas como identidade de gênero, raça, cultura e comportamento.
Na justificativa, os parlamentares afirmam que a frente pretende atuar na defesa de temas como liberdade de expressão, além de promover debates sobre políticas públicas e manifestações culturais. Como ocorre com outras frentes parlamentares, o grupo não tem poder deliberativo direto, mas funciona como espaço de articulação política e formulação de propostas. O avanço na CCJ, nesta quarta-feira, 25, abre caminho para a votação em plenário, onde a proposta deve enfrentar resistência. Vereadores da esquerda a iniciativa ainda na fase inicial de tramitação, questionando tanto o conceito de “woke” quanto a finalidade prática da frente.
“A Frente Parlamentar busca impedir os avanços dessa ideologia nefasta, preservando o direito à liberdade de expressão. O caráter suprapartidário da Frente Parlamentar Antiwoke garante sua ampla representatividade e permite o melhor desenvolvimento de propostas equilibradas e respeitosas à pluralidade da sociedade paulistana,” disse Pavanato.
Durante a discussão, a Thammy Miranda (PSD-SP) e Luna Zarattini (PT-SP) se posicionaram contrariamente à tramitação da criação da Frente Parlamentar Antiwoke. “Sou contrária a essa matéria. Quero aproveitar a oportunidade e indagar se os colegas sabem o que seria o movimento Woke”, dissse Luna.
Também houve questionamentos sobre a necessidade de criação de mais uma frente temática, em um cenário já marcado pela multiplicação desses grupos no Legislativo paulistano. Apesar das críticas, a base favorável à proposta aposta na mobilização de vereadores alinhados à direita para garantir a aprovação final.
Nos bastidores, a leitura é que a frente pode funcionar como instrumento de organização política e ampliação de agenda dentro da Casa. Se aprovado em plenário, o grupo será oficialmente instituído e poderá iniciar atividades, com adesão de parlamentares interessados.
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