Fachin admite divergências no STF sobre eleição-tampão no Rio
Presidente da Corte diz que ministros têm compreensões distintas” sobre o modelo de escolha após pedido de vista de Flávio Dino
Em reunião com o governador interino, Ricardo Couto, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, admitiu nesta sexta-feira, 10, que há divergências internas entre os ministros sobre o modelo de eleição para o mandato-tampão no Rio de Janeiro.
A votação parcial na Corte foi interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino, com 4 ministros a favor da eleição indireta e um pela direta.
Em conversa com jornalistas, Fachin comparou a situação a divergências em uma redação de jornal.
“Imagino que todo o colegiado tenha, naturalmente, compreensões distintas. Repórteres, em uma redação, nem sempre compartilham a mesma leitura dos fatos. O mesmo ocorre com magistrados ao julgar uma matéria como essa. O importante é que o colegiado se debruçou sobre o tema. Demos a ele a devida relevância — praticamente suspendemos a pauta do STF para julgá-lo e encaminhar uma solução”, afirmou.
“Sístoles e diástoles existem tanto para o cardiologista quanto para o juiz”, acrescentou.
Vacância
O novo pleito tenta estancar uma sangria institucional recente de um estado onde a cadeira de governador tornou-se, nas últimas décadas, um símbolo recorrente de malfeitorias.
A linha sucessória de Cláudio Castro, que renunciou antes de ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por compra de apoio político, ficou esvaziada desde que o seu ex-vice, Thiago Pampolha, foi indicado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Naturalmente, a cadeira seria assumida pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj.
No entanto, o influente político de Campos dos Goytacazes acabou sendo preso por vazamento de informações de operação contra o deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho (CV).
Até lá, o Palácio Guanabara será ocupado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJRJ), Ricardo Couto, que assumiu a tarefa de governar o caos após o esvaziamento total da linha sucessória.
Leia em Crusoé: Gotham City fluminense
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)