Extradição de Zambelli deve ser julgada nesta terça
Defesa aposta em pressão de aliado de Meloni para impedir envio ao Brasil; ex-deputada responde por invasão de sistemas e porte ilegal de arma
A Corte de Apelações de Roma deve decidir nesta terça-feira, 10, se autoriza a extradição de Carla Zambelli ao Brasil. A ex-deputada federal pelo PL de São Paulo está presa na capital italiana desde julho de 2024, quando foi detida em operação conjunta da Polícia Federal e autoridades locais.
O julgamento foi adiado quatro vezes. Segundo o Estadão, a defesa de Zambelli na Itália trabalha com a hipótese de que a dupla cidadania da ex-parlamentar pode impedir o envio ao Brasil. O advogado Fabio Pagnozzi, que representa a cliente no país europeu, afirma ter boa expectativa quanto ao resultado.
Pressão política no governo Meloni
O senador Matteo Gelmetti, do partido Fratelli d’Italia, da primeira-ministra Giorgia Meloni, atua junto ao Ministério da Justiça italiano para barrar a extradição. O parlamentar questiona o processo conduzido no Brasil pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
“O senador, do partido da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, está cobrando a não extradição ao ministro da Justiça e também criticando a forma como esse processo no Brasil foi julgado por um ministro ‘relator, vítima e acusador’, nas palavras dele”, declarou Pagnozzi.
Gelmetti também pediu explicações sobre como o deputado Angelo Bonelli, do Partido Verde italiano, obteve o endereço de Zambelli em Roma.
O parlamentar de oposição publicou em julho de 2024, em sua conta no X, que havia localizado a brasileira e fornecido as informações à polícia. “Carla Zambelli está em um apartamento, em Roma. Forneci o endereço à polícia; neste momento, a polícia está identificando Zambelli”, escreveu.
Segundo investigadores ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, a localização partiu do adido da Polícia Federal em Roma, lotado na embaixada brasileira, em conjunto com autoridades italianas. A prisão ocorreu no mesmo dia da publicação de Bonelli.
Duas condenações no STF
Zambelli acumula duas condenações no Supremo Tribunal Federal. A primeira fixou pena de dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça e falsidade ideológica. O STF concluiu que a ex-deputada contratou o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, entre eles um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
A segunda condenação, de cinco anos e três meses em regime semiaberto, refere-se a porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Os crimes ocorreram no dia das eleições de 2022. Vídeos obtidos pela Polícia Civil mostram Zambelli empunhando uma pistola enquanto persegue um homem negro, que é agredido por outras pessoas. Um disparo foi efetuado pelo grupo do qual a deputada fazia parte. A defesa alega que ela foi agredida antes.
Zambelli deixou o Brasil após a primeira condenação. O pedido de extradição foi formalizado pelo governo brasileiro às autoridades italianas. O ministro Alexandre de Moraes, procurado pelo STF e por seu gabinete, não se manifestou sobre o assunto.
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Comentários (2)
Maglu Oliveira
09.02.2026 20:43Deixa ela lá, quando voltar estará falando italiano fluentemente. Se é o vocabulário que uma (ex) deputada federal deveria usar, não sei
Fabio
09.02.2026 19:35Deixa essa maluca lá... Chegando aqui, quanto tempo para ela conseguir cumprir pena de casa, sem contar as inúmeras mamatas?