“Eles têm problema na família”, diz Valdemar sobre os Bolsonaro
Presidente do PL afirma que disputas internas podem custar eleição a Flávio e impedir retorno de Eduardo ao Brasil; Michelle é descartada
“Eles têm problema na família, lógico, mas vamos ter que resolver todos porque essa eleição vai ser decidida por muito pouco”, disse nesta segunda-feira, 30, Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, durante evento do grupo Lide, em São Paulo.
Ele considera que, sem a superação das tensões internas, Flávio Bolsonaro perde força para disputar a presidência da República em 2026 — e Eduardo Bolsonaro, exilado nos Estados Unidos, perde a chance de voltar ao país.
Para Valdemar, a equação é simples: “Se nós não resolvermos esses problemas dentro da família, o Eduardo não volta mais para o Brasil, nós temos que ganhar as eleições”. O dirigente atribuiu os conflitos ao fato de haver muitos integrantes da família simultaneamente ativos na política.
Flávio em construção, Michelle fora da chapa
Para Valdemar, Flávio Bolsonaro deveria abandonar ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e se concentrar na elaboração de um programa de governo “real e viável”. “Ele está se preparando para isso de uma maneira muito especial”, disse o presidente do PL.
Sobre a composição da chapa, Valdemar reiterou a preferência por uma mulher na vice-presidência, mas descartou dois nomes que chegaram a circular.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), cotada nos últimos meses, teria comunicado ao dirigente, na semana anterior ao evento, que pretende disputar uma vaga no Senado. “Ela vai ajudar bastante a gente no plano de governo, vai ajudar bastante, mas ela não será candidata à vice, eu tenho certeza, ela não quer”, afirmou.
Michelle Bolsonaro, por sua vez, também foi afastada da cogitação: “A Michelle não, eu acho que não, porque ela já tem o mesmo nome. Tem que abrir para outros partidos”.
Eduardo, o vídeo e o STF
O presidente do PL também comentou o episódio que gerou repercussão jurídica na semana anterior: um vídeo gravado por Eduardo Bolsonaro durante a CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), nos Estados Unidos, no qual o ex-deputado afirmou estar fazendo o conteúdo para “mostrar para o seu pai”.
A declaração acendeu um alerta no Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes cobrou esclarecimentos de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar sob restrições que proíbem o uso de celular, telefone e redes sociais, além de qualquer meio de comunicação externa.
Valdemar defendeu Eduardo e disse não acreditar em má-fé: “Esse vídeo eu tenho certeza que o Bolsonaro não verá”, afirmou, citando informação da própria Michelle de que “não entra telefone lá de jeito nenhum”.
Sobre Eduardo, foi categórico: “Pode ter se enganado, não mentido. Ele pode querer que um vídeo chegue ao pai, quer dizer, mas pode chegar até através da televisão”.
Caiado no cenário, mas segundo turno já tem dono
Ao ser indagado sobre a pré-candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à presidência, Valdemar reconheceu o peso político do governador de Goiás, mas expressou reservas quanto à viabilidade da empreitada. “Tenho dúvidas”, disse, sustentando que o segundo turno “vai ser Flávio e Lula. Ninguém tem dúvida disso”.
Para o dirigente do PL, o caminho mais proveitoso para a direita seria a convergência de forças já no primeiro turno. “O ideal para nós era que todos eles nos acompanhassem no primeiro turno, para dar chance para ganharmos a eleição no primeiro turno”, disse.
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