Centrão atua para acabar com puxadores de votos na Câmara
Partidos articulam votação de reforma eleitoral em novembro para alterar o sistema de escolha dos deputados federais
Dez partidos do Centrão articulam uma mudança no sistema eleitoral para tentar alterar a forma como as cadeiras da Câmara dos Deputados são distribuídas. A intenção é votar uma proposta na primeira semana de novembro, em meio às discussões sobre o avanço de candidatos com votações expressivas, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), ambos do PL.
A articulação foi confirmada por O Antagonista. Entre os modelos em discussão estão o distrital misto e o distritão, alternativas que modificariam as regras atuais para a eleição de deputados federais.
Nikolas recebeu 3.119.318 votos nas eleições de 2026, enquanto Pavanato obteve 3.038.438 votos, ficando em segundo lugar no ranking nacional. Os dois pertencem ao PL e ajudaram a legenda a conquistar 121 cadeiras na Câmara dos Deputados, formando a maior bancada do partido desde 1990.
Atualmente, a eleição para deputado federal segue o sistema proporcional de lista aberta. Os votos recebidos pelos candidatos e pelas legendas são considerados no cálculo das cadeiras a que cada partido ou federação tem direito. Depois, as vagas são ocupadas pelos candidatos mais votados dentro dessas organizações, respeitados os requisitos previstos na legislação.
Na prática, um candidato com votação elevada pode contribuir para que outros integrantes de sua legenda também sejam eleitos. É esse mecanismo que está no centro das discussões sobre uma possível reforma.
Distrital misto e distritão
Uma das alternativas é o distrital misto, modelo que divide a eleição em duas partes. Uma parcela dos deputados seria escolhida em distritos territoriais, nos quais cada região elegeria seu representante. A outra seria definida pelo desempenho dos partidos, com distribuição de cadeiras por listas partidárias.
O formato mudaria a relação entre a votação individual e o resultado das legendas. Os eleitores escolheriam um candidato de seu distrito e também participariam da definição da representação partidária.
Outra opção é o distritão, no qual seriam eleitos os candidatos individualmente mais votados em cada estado, até o preenchimento das vagas disponíveis. Nesse modelo, a votação de um parlamentar não ajudaria diretamente outros integrantes da mesma legenda a conquistar cadeiras, como ocorre no sistema proporcional.
A adoção do distritão exigiria uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que precisa de pelo menos 308 votos favoráveis na Câmara, em dois turnos. Uma tentativa de implementar o modelo foi rejeitada pelos deputados em 2015.
Partidos tentam chegar a um consenso
Os partidos envolvidos na articulação ainda precisam superar divergências sobre qual modelo defender. Uma nova reunião foi marcada para 28 de outubro, com o objetivo de avançar nas negociações antes da votação prevista para novembro.
A discussão ocorre em meio à reorganização das forças políticas na Câmara. As legendas participantes da articulação somam atualmente 271 deputados, mas devem reunir 252 cadeiras na próxima legislatura, segundo os números apresentados nas negociações.
Além da reforma eleitoral, os partidos manifestaram apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara.
O chamado “efeito Nikolas” passou a representar, nesse debate, a preocupação com o impacto de candidatos de votação expressiva sobre a composição das bancadas. A escolha do sistema eleitoral poderá influenciar tanto a estratégia dos partidos quanto as condições para que candidatos individuais convertam seus votos em representação parlamentar.
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