Eduardo Bolsonaro diz não ter “condição de voltar ao Brasil”
Polícia Federal determina que ex-deputado, que está nos EUA, reassuma cargo de escrivão no Rio de Janeiro
A Polícia Federal publicou, nesta sexta-feira, 2, um ato que estabelece o retorno do ex-deputado Eduardo Bolsonaro ao posto de escrivão da instituição. O documento, assinado pela diretoria de gestão de pessoas, determina que o servidor se apresente na unidade de Angra dos Reis.
A medida visa a regularização da situação funcional do ex-parlamentar, que estava licenciado para exercer o cargo eletivo na Câmara dos Deputados. Nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, ele disse que não tem condições de voltar ao Brasil.
Em manifestação sobre a ordem administrativa, sinalizou a intenção de manter o vínculo profissional com o órgão: “Vou lutar por ele (pelo cargo na PF). Fui uma pessoa que batalhou para ser aprovada nesse concurso”, afirmou o ex-deputado.
Afastamento e cassação de mandato
A perda da cadeira parlamentar foi formalizada pela Mesa Diretora da Câmara no dia 18 de dezembro. O ato administrativo, conduzido pelo presidente da Casa, Hugo Motta, dispensou a votação em plenário.
Conforme os registros legislativos, o deputado ultrapassou o limite de faltas permitido pela Constituição Federal. Ele se ausentou por mais de um terço das convocações deliberativas da atual sessão. Assim, a cassação ocorreu de forma automática.
Inquéritos e processos disciplinares
O ex-deputado enfrenta procedimentos administrativos disciplinares abertos pela própria Polícia Federal. As investigações internas analisam condutas do servidor relacionadas a ataques direcionados à corporação. Em 2025, foi alvo de representações que buscam sua demissão do quadro de funcionários.
A direção da PF monitora manifestações públicas em que o ex-parlamentar dirigiu ofensas a delegados federais. Em uma transmissão na internet, ele hostilizou agentes que acompanhavam suas atividades. Na ocasião, o político utilizou termos agressivos para se referir aos servidores da instituição.
“Vai lá, cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber não. Se eu ficar sabendo quem é você, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Alvarez Shor se ele conhece a gente”, declarou Eduardo Bolsonaro. O diretor-geral do órgão, Andrei Rodrigues, classificou as falas como tentativa de intimidação.
No Supremo Tribunal Federal, Eduardo é réu em processo por coação. A acusação sustenta que ele articulou sanções externas contra autoridades do judiciário brasileiro.
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