Diretor do BC desconfia de “quem fala mal do Pix”
Paulo Picchetti classifica como conflito de interesses as objeções ao sistema de pagamentos, alvo de investigação comercial dos EUA
“Quem fala mal do Pix tem interesses que não são os da população brasileira”, declarou Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, em palestra na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.
A frase resume a posição da autoridade monetária brasileira diante da ofensiva americana contra o sistema de pagamentos instantâneos. O Pix foi incluído pelo governo de Donald Trump em um conjunto de investigações comerciais abertas contra o Brasil, sob a alegação de que prejudicaria empresas americanas do setor financeiro.
Disputa comercial
A Casa Branca sustenta que o Pix, por ser gratuito e operar sob gestão do Banco Central, cria condições desiguais de concorrência para multinacionais dos Estados Unidos que oferecem serviços de pagamento no Brasil, entre elas, empresas de cartões e plataformas financeiras que cobram taxas por operações equivalentes.
O presidente Lula já se manifestou em defesa do sistema após novas menções ao Pix em relatório comercial divulgado pela Casa Branca em 2026. O Pix, lançado pelo BC em novembro de 2020, tornou-se o principal instrumento de transferências e pagamentos do país, com volume de transações que alcança bilhões de operações por mês.
Para o Banco Central, o argumento americano não se sustenta. O sistema foi concebido como infraestrutura pública de pagamentos, acessível a qualquer cidadão ou empresa, sem distinção de origem do capital. A gratuidade para pessoas físicas é uma diretriz regulatória, não uma prática anticoncorrencial.
Real digital no horizonte
Na mesma apresentação na FGV, Picchetti detalhou o estado atual do Drex, nome dado ao projeto de moeda digital do Banco Central. A iniciativa utiliza tecnologia de blockchain — a mesma base das criptomoedas, como o Bitcoin — e está em desenvolvimento pelo BC com previsão de testes e expansão ao longo de 2026.
O diretor apontou o principal obstáculo técnico do projeto: equilibrar privacidade e escalabilidade: “Não tem uma solução no mundo ainda para isso, e é óbvio que temos que ter as duas, porque, se a gente imagina o Drex reproduzir o sucesso do Pix, vamos ter milhões de transações por dia, e a coisa tem que funcionar como o Pix funciona”, afirmou Picchetti.
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