Desfile de Lula na Sapucaí retrata Bolsonaro como palhaço
Evento foi mantido apesar de ação por propaganda antecipada na Justiça Eleitoral
A Acadêmicos de Niterói abriu, neste domingo (15), os desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro com uma homenagem direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua trajetória política.Estreante na elite do samba carioca após vencer a Série Ouro, a escola levou à avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que reconstrói a trajetória do petista desde a infância em Garanhuns (PE) até o retorno ao Palácio do Planalto.
O desfile contou com cerca de 3 mil componentes, dezenas de alas e carros alegóricos de grande porte. Lula acompanhou a apresentação de um camarote na Sapucaí, ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de aliados políticos. A escola apostou em símbolos associados ao universo político do presidente. Uma das alas mais comentadas trouxe fantasias predominantemente vermelhas com estrelas brancas ao centro, referência direta ao Partido dos Trabalhadores (PT), cuja identidade visual é marcada pelo mesmo símbolo.
O desfile também incluiu alegorias de forte carga satírica. Em um dos carros, um boneco gigante do palhaço Bozo apareceu caracterizado como presidiário, atrás de grades e usando tornozeleira eletrônica. A representação foi interpretada como crítica ao ex-presidente Jair Bolsonaro.Um integrante fantasiado como Bozo usava faixa presidencial e fazia gestos associados ao armamento civil, pauta frequentemente vinculada ao bolsonarismo. A coreografia encenou uma transmissão simbólica de poder: o personagem recebia a faixa de um figurante que representava Michel Temer, que por sua vez a tomava de uma figura alusiva a Dilma Rousseff.
A sequência dramatizou as mudanças de governo que antecederam o terceiro mandato de Lula. Outras alas retrataram a migração nordestina, as greves do ABC paulista, a fundação do PT, a prisão do petista e o retorno ao poder. A escolha do enredo provocou reações políticas e questionamentos jurídicos sobre possível promoção pessoal financiada com recursos públicos. Críticos afirmam que raramente um chefe do Executivo em exercício foi exaltado de forma tão direta na principal vitrine cultural do país.
Pedido negado
O desfile também foi alvo de questionamentos na Justiça Eleitoral. O partido Novo ingressou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma representação por propaganda eleitoral antecipada contra Lula, o PT e a própria escola de samba, argumentando que o enredo funcionaria como peça de pré-campanha em ano eleitoral. A sigla pediu a aplicação de multa e a proibição do uso do tema, além de apontar possível uso indevido de recursos públicos na produção do espetáculo.
O TSE, contudo, rejeitou pedidos para suspender o desfile antes da apresentação, sob o entendimento de que a medida poderia configurar censura prévia. A Corte sinalizou, porém, que eventuais irregularidades poderão ser analisadas posteriormente, caso se conclua que houve promoção eleitoral indevida durante o evento.
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Comentários (3)
Marian
16.02.2026 13:04Ah sabe de quem é a culpa? Do outro. Da escola?
Se o TSE achar que o Lula não está dando campanha eleitoral considerando a cutucada ao adversário , daí, por favor, está na cara!!! Odeio o Bozo mas que ele seja o motivo de ineligibilidade do descondenado.
Mas o ex-presidente achava q ganhava fácil apostando na polarização... Abraçou Tofolli e acabou com a Lava Jato. Foi mesmo uma lambança, uma palhaçada!