Descoberta de cerâmica na Amazônia que pode reescrever milênios de história
Em uma área remota do Médio Solimões, no interior do Amazonas, arqueólogos e moradores locais descobriram urnas funerárias de cerâmica
Em uma área remota do Médio Solimões, no interior do Amazonas, arqueólogos e moradores locais descobriram urnas funerárias de cerâmica enterradas há séculos, talvez milênios, revelando aldeias complexas na floresta.
Como foi feita a descoberta das urnas funerárias no Médio Solimões
O achado começou quando uma árvore tombou e revelou, entre as raízes, grandes vasos de cerâmica.
As imagens circularam entre moradores até chegarem a pesquisadores de instituições científicas da região, que organizaram uma expedição ao local.
Para alcançar o sítio arqueológico, as equipes enfrentaram longas viagens de barco, trajetos de canoa por igarapés e caminhadas em mata fechada.
No terreno encharcado, as urnas estavam parcialmente enterradas e entrelaçadas às raízes, exigindo escavação lenta e cuidadosa.
Por que o sítio arqueológico do Médio Solimões é tão relevante
A descoberta reforça a ideia de que a Amazônia abrigou sociedades densamente povoadas e bem organizadas, com aldeias planejadas e áreas específicas para moradia e rituais funerários.
As urnas provavelmente estavam associadas a casas construídas sobre o solo amazônico, indicando ocupação estruturada.
No local foram identificados ao menos sete grandes vasos, com peso estimado entre 180 e 350 quilos.
A remoção exigiu estruturas de apoio, ferramentas adaptadas e esforço conjunto de cientistas e moradores, preservando as peças e seu conteúdo para futuras análises laboratoriais.
O que as urnas funerárias revelam sobre os antigos habitantes da Amazônia
Exames preliminares identificaram ossos humanos dentro dos vasos, confirmando seu uso como urnas funerárias em rituais de morte elaborados.
Práticas semelhantes já foram registradas em outras áreas da Amazônia, sugerindo uma tradição funerária ampla e compartilhada entre diferentes grupos.
A análise do material ósseo e de vestígios químicos pode indicar idade, sexo, saúde e hábitos alimentares dessas pessoas, contribuindo para entender sua relação com os recursos da floresta e dos rios.
Entre os principais dados esperados a partir dessas análises estão:
- Idade e sexo: estudos morfológicos e laboratoriais dos ossos.
- Alimentação: investigação de isótopos estáveis e microvestígios na estrutura óssea.
- Saúde e esforço físico: marcas que indicam doenças, atividades repetitivas e estilo de vida.

Quais são os principais desafios da arqueologia na Amazônia hoje
O avanço das pesquisas enfrenta limitações de financiamento, sobretudo para análises como a datação por carbono-14, essencial para estimar a idade precisa das urnas.
Sem esses exames, só é possível afirmar que as peças são anteriores a 1500, sem saber se têm 500, 1.000 ou 3.000 anos.
Além do custo, a logística em plena floresta exige longas permanências em campo e parcerias com comunidades ribeirinhas e indígenas.
Moradores locais são fundamentais para localizar sítios, orientar deslocamentos, apoiar a segurança das equipes e proteger as áreas contra saques.
O que essa descoberta muda sobre a história dos povos da floresta
O sítio do Médio Solimões reforça a revisão em curso na arqueologia amazônica, que hoje reconhece aldeias estruturadas, redes de ocupação extensas e manejo sofisticado do ambiente, incluindo agricultura, solos antrópicos e conhecimento dos ciclos dos rios.
Comparando estilos cerâmicos, técnicas construtivas e padrões de assentamento com outros sítios brasileiros e sul-americanos, pesquisadores buscam mapear conexões entre povos de diferentes épocas.
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